Perícia e Computação Forense: Como Trabalha um Perito Criminal
Convidados
Ricardo Capozzi
Perito @ Inforac Laboratorio Pericial
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Quando um celular é apreendido, um sistema é invadido ou uma empresa vaza dados, quem separa o que é fato do que é achismo? É aí que entram a perícia e a computação forense, uma área que mistura tecnologia, método científico e direito, e que o Brasil tem acompanhado cada vez mais nas notícias. Se você já se perguntou como funciona o trabalho de um perito criminal na prática, este episódio do PPT Não Compila responde, sem romantizar a profissão. O host Wellington Cruz recebe Ricardo Capozzi, perito da Inforac Laboratório Pericial, professor e doutorando em direito, com mais de 20 anos de estrada. A conversa parte de uma ideia provocadora: o perito é um cientista, e seu trabalho gira em torno de materialidade, dinâmica e autoria. Ricardo mostra a diferença entre perícia criminal e cível, explica quando o ônus da prova muda de lado (o caso das fraudes bancárias e do Código de Defesa do Consumidor) e conta por que um laudo tecnicamente brilhante pode ser jurídica e totalmente imprestável se o método falhar. Usando o celular apreendido do caso Vorcaro como exemplo, ele detalha o caminho do dispositivo: mandado de busca e apreensão, cadeia de custódia em 10 etapas, saco de Faraday, imagem forense, hash (SHA-256, MD5), indexação com Cellebrite, IPED e Magnet, e só então a análise que exige inteligência humana. Tem ainda a armadilha dos quesitos de advogados, o princípio de Carl Sagan de que ausência de evidência não é evidência de ausência, um caso de vazamento de dados via LinkedIn que virou aula sobre cultura corporativa versus política de segurança no papel, o risco da shadow AI dentro das empresas e o que fazer se você quer entrar nessa carreira. Com passagem por várias universidades, participação no comitê da ABNT ligado à ISO 27037, na APECOF e nas comissões da OAB-SP, Ricardo traz uma visão rara de quem vive entre o código e o tribunal. Assista até o final, deixe seu like, comente qual parte mais te surpreendeu, compartilhe com aquele colega do SOC e se inscreva no canal para não perder os próximos episódios. Quer ver a conversa continuar? Diga nos comentários que a gente volta com mais perícia por aqui.
- Perícia em computação forense
- O que é um perito? Por que perícia é ciência e método importa
- Materialidade, autoria e dinâmica: da cena do crime ao crime digital
- Perícia cível x criminal: fraude bancária, inversão do ônus da prova e verdade real
- Perícia extrajudicial e produção antecipada de prova: como a prova chega ao juiz
- Perito judicial, assistente técnico e a ausência de um conselho de classe
- Como o juiz usa o laudo e as pegadinhas dos quesitos: ausência de evidência não é evidência de ausência
- Ciência x retórica: por que o perito fundamenta e o advogado argumenta
- Anatomia de uma perícia: do mandado de busca ao laudo, passando por cadeia de custódia, imagem forense, hash e indexação
- Achou algo fora do escopo? Limites do objeto da perícia e quesitos fora da área técnica
- Siga o protocolo: por que 95% dos incidentes são falhas de procedimento (e o caso do LinkedIn)
- Shadow AI e vazamento de dados: como a perícia enfrenta a IA generativa nas empresas
- Do TK85 ao doutorado em Direito: a trajetória híbrida entre TI e Direito
- Letramento jurídico para profissionais de TI: contratos, SLA, nuvem e o abismo entre áreas
- Como se tornar perito: cadastro nos tribunais, leitura dos códigos e o perfil que a profissão exige
O que que o perito em computação forense faz? Ele trabalha com esses pontos, [música] tá? A função é: eu tenho a materialidade, eu quero descobrir a autoria e a dinâmica. A pergunta é errada, só que ele quer que eu dê uma resposta errada para pegar aquela resposta e dizer e tentar desdizer o que eu disse. Então você tem que tomar muito cuidado com essa pegadinha. O problema é quando você me dá um celular do Vorcaro e eu não sei o que procurar. Que que você quer que eu procure? Ah, eu quero que você procure. E essa é uma coisa ruim, porque às vezes vem pra gente, procure algo errado.
Protocolo, desliga as VPNs, eh, cancela conexão entre os sítios. Ah, não, mas eu acho que eu sei o que é, cara. Você já tá colocando o risco de não seguir o protocolo, né? Então, protocolos, gente, sigam os protocolos.
Muito bem, muito bem, meus amigos. O PPT não compil. Estamos aqui para mais um episódio e hoje a gente vai ter um episódio sobre uma pauta que a gente nunca antes tratou nesse podcast. Eu tô aqui com o professor Ricardo Capose. Eu conheci ele na trilha que eu coordenei do do TDC em 2026, não sei o ano que você tá ouvindo esse episódio, pode ser que você esteja ouvindo daqui a 3 4 anos, né? Sobre a E ele trouxe uma pauta muito interessante que é computação forense e perícia criminal. Criminal e não criminal, né, professor?
Isso. Os dois âmbitos.
Dá um oi pra galera aí, professor.
Bom, boa noite. Oi. Muito obrigado, Wellington. Muito obrigado aí aos web espectadores, né, que nos assistem.
Obrigado pelo carinho, obrigado pelo convite, né? Nos conhecemos exatamente na trilha de engenharia de A.
Engenharia de A. Exatamente.
Exatamente. Lá no TDC 2026.
E professor, conta um pouco sobre qual é o o quem é o professor Ricardo Campose.
É bom, eu costumo me definir como entusiasta da computação, né? A minha formação é computação, né? Fiz aí como a primeira graduação, fiz algumas pós-graduações nessa área da da de segurança da sempre fui paraa infraestrutura, né? Eh, eu tenho a a certificações nessa área de infraestrutura, segurança da informação.
E como eu trabalho com perícia forense já quanto tempo de perícia, professor?
Olha, eu comecei em 2003, nós estamos aí para 23, 20, 2002, 24 anos aproximadamente, né?
Tem, a maioria dos nossos ouvintes não tem isso de profissão, não é? [risadas] É, é que é que a a profissão de perito ela ela foi para mim um, né, uma segunda carreira, né? Eh, então, paralela já que eu existia, né, como consultor e também como professor.
Então, dou aula hoje em cursos de graduação, sempre aula em graduação, cursos livres, alguns cursos livres.
Pode falar onde você dá aula? Fica à vontade. F.
Olha, eu dou aula no na Unidrumon, né, na graduação, cursos livres. doa na TI Exames, né, no Maquenze, na pós-graduação, na no Instituto Maoá de Tecnologia, lá em São Caetano, também pós-graduação, na PRAPAPUC Campinas também pós-graduação, na USF, que é a Universidade de São Francisco de Bragança, também em pós-graduação.
Eh, dei aula na FATEC, né, FATEC de Mauá. Eh, que mais eu dou aula na Academia de Forense Digital também, né?
Eh, hoje tenho um projeto como instrutor da ISO 27037, né, na BNT, né, sou membro do comitê 21 da BNT aqui no Brasil, a gente fala sobre essa relação de cadeia de custódia, né? Então, basicamente é o que eu atuo. Ah, e na Impacta Tecnologia, né? Não posso esquecer [risadas] falar da Impacta, né? Faculdade de Impacto e Tecnologia, onde onde eu hoje trabalho.
Então, acho que eu tô trabalhando aí com umas seis, sete, acho que você comentou comigo sobre uma associação de peritos também, né?
Isso. E faço parte, isso eu gosto de destacar, né? Eh, então eu fui paraa Ciência da Computação como perito, fiz direito, fiz mestrado em direito também, hoje sou doutorando em direito e eu faço parte de uma associação que é a APECOF, que é associação, né, dos peritos em computação forense, uma grande associação. Quem quiser entrar, pecof.org, faço aí uns votos. muito boa, abriu muitas portas, uma associação que que detém aí e é o DNA, é computação forense, né? E também da eu sou vice-presidente da comissão de perícias da OAB aqui de São Paulo, né? Então a OAB ela tem uma comissão de perícias.
Essa sim tem vários tipos de perícias, né? Nós fizemos agora um congresso nesse mês aqui e faço parte também da Comissão de Direito Digital da OAB. Então eu gosto, eu atuo sempre, então estou com um pé no direito, né? Direito/ra perícia e um pé na computação.
O homem é um mutante, gente. Vamos ouvir esse cara hoje que o episódio vai ser sensacional. Então, se você quiser entender como funciona processo de perícia, de investigação, como que eh chega um processo para um perito que tem o conhecimento de computação, como que ele aplica esse conhecimento dentro desse processo judicial, como que isso é tratado em relação a processo, a protocolos ali para para que isso de fato seja eh de uma forma isenta trabalhado dentro dessa desse trabalho que é técnico, né, professor? mu e como é que funciona de fato essa profissão de perito, né? Então você que curte esse tipo de assunto, quer entender muita das coisas que estão acontecendo hoje no Brasil, que a gente fala muito sobre de perícia, sobre celular, etc., vamos dar alguns exemplos práticos aqui também e o professor vai explicar pra gente tudo sobre esse mundo hoje aqui pra gente.
Isso aí. Vamos lá.
Vamos lá que o Bisor tá muito bom. Mas antes, se você não deixou o seu like, se você não deixou o seu like, o seu comentário, não compartilhou ainda esse episódio, aproveita agora para você não interromper o episódio no meio. Então, deixa seu like, compartilha e ajude o PPT no Compila a crescer a sua comunidade, porque é para isso que a gente faz esse trabalho aqui para vocês.
Vamos lá que eu tô cheio de pergunta para fazer aqui, professor.
Opa, estamos aí. Vamos lá.
Bora.
[música]
[música]
Professor, antes da gente começar, pra gente molhar um pouco as palavras, eu vou servir pra gente aqui uma session IPA da Marto, tá geladinha.
Deixa eu te servir aqui.
Opa.
A session IPA é uma IPA bem levezinha, né? Bem suave. Hoje não tá um dia muito muito quente. Acho que vai.
Vamos brindar então, né?
Com certeza.
Um brinde, professor.
Opa, isso aí. Obrigado pelo Maralto, obrigado pela pelo apoio. E se você quiser vir aqui assistir ao vivo uma gravação e levar o seu packzinho de Maralto, de brinde, só lá no nosso Instagram, mensagem direta, só escreve Maralto, a gente vai entrar em contato, vai te colocar no sorteio, você corre o risco de assistir o episódio aqui com a gente.
Maravilhosa, hein?
Muito boa, né? gostosa, professor. Eh, eu eu gosto muito desses episódios que eu aprendo coisas fora do meu cotidiano, coisas que estão fora do do contato que eu tenho no dia a dia. [roncando] E esse aqui para mim é muito especial porque eu quase entrei nessa área por duas vezes.
Uhum. Eu cheguei a me inscrever num concurso da Polícia Federal para perito de computação, assim que eu terminei a minha graduação. Me inscrevi, mas não fui fazer a prova. Foi a primeira vez, esse foi o primeiro quase.
E antes de eu fazer o meu mestrado, que eu fui pra área de de astrofísica, eu cogitei fazer o mestrado em computação forense.
Hum.
Que eu também sempre achei muito interessante, mas acabei indo pra pra física. Então, tive dois quases na minha vida que que quase me levaram para para essa área, né? Então, para mim é muito interessante, muito gratificante tá aqui hoje trazendo esse tema pro pros nossos ouvintes.
Que bom.
Eu queria iniciar com a pergunta que eu acho que é a mais que deve est já na cabeça de quem tá quem tá guardando o episódio. O que é exatamente um perito?
Bom, um perito na acepção mais simples e pura da palavra é alguém que é um expert ou um experto, né, em algum assunto.
Então, e a gente gosta muito de fazer uma analogia, pegando sempre com o pé da cybersegurança um hacker. O hacker é uma pessoa que conhece muito, né, sobre um determinado tema e a gente trouxe pro mundo da informática. Então, um perito, a figura do perito é alguém que é tem um grande domínio, uma grande aderência, uma grande especialidade sobre ao menos uma área de conhecimento. Então, pelo menos a gente fala, ele é um expert, um esperto, são sinônimos, né? Eh, o termo mais usado hoje é perito, né? A própria o próprio jurídico usa isso, né? O juiz nomeia um perito, né? Então, o perita é uma figura que ele tem esse conhecimento, é um conhecimento técnico e ele tem uma característica interessante, porque um perito, quando alguém me pergunta o que faz um perito, eu respondo categoricamente, faciência.
Um perito é um cientista, assim como um astrofísico é um cientista. Eh, por quê?
Porque nós trabalhamos com teses, né, ou hipóteses que nós testamos assim como a ciência testa. E a ciência ela tem uma característica interessante que ela trabalha com uma verdade provisória, né?
Um um então, pegando o gancho aí da física ou da astrofísica há 2000 anos, o modelo de Ptolomeu era em que a Terra era o centro do universo. Opa. Era a verdade na época. Então, a ciência foi, opa, foi testando, foi desconstruindo e construindo uma nova teoria que foi comprovada, testada, fundamentada.
Então, você tem teorias, né, e tem você tem eh e situações que você traz através da ciência e quem faz a ciência é o perito. Então, de uma forma bastante direta, então o um perito é alguém que é um cientista, né, na acepção simples da palavra. É que a gente tem a mania de achar que cientista é aquele cara que tá de jaleco branco com cinco canetas, né, num laboratório mexendo com ratinho, ele também é um cientista ou mexendo com tubos de ensaio, ele também é um cientista, né? Então, a o resultado do nosso trabalho, até porque a o próprio Código de Processo Civil, né, entrando um pouquinho no juridique aqui, ele ele fala que a prova pericial é uma prova técnica. Então, uma prova técnica, um elemento técnico, ele tem que ser produzido por alguém que é um especialista em algum assunto, né? E aí nós chamamos essa pessoa nessa persona de perito.
É interessante você falar do lado da ciência, professor, porque não basta só o conhecimento técnico, né? Eh, precisa ter uma metodologia científica para que a pessoa de fato seja um cientista, né?
Então, às vezes, o cara pode ter muito conhecimento técnico, empírico, por exemplo, o caso do hacker que você citou, mas ele precisa ser preparado, imagino, para eh seguir o o processo técnico científico, até para que sejam preservadas essas coisas, etc., sejam registrados. Da mesma forma que a gente trabalha no método científico natural, digamos assim, de todas as áreas da do saber, né?
Sim.
Isso eh a gente pode recorrer, eh, isso não começa pegando aqui [roncando] no mundo um pouco mais contemporâneo, com o Decart, né, a do século X7 para Hegel.
Então é exatamente o método da de você pegar a a algo, né, testar através de uma hipótese, mas com metodologia. Por isso que é tão importante, eu sou professor universitário, a gente abordar a metodologia científica na escola, né?
Porque você ensina a pessoa a saber fazer pesquisa, né? Saber mexer num sistema operacional, numa estrutura, num roteador.
Eh, nada que um tutorial hoje não te ensine, né? Agora, fazer isso com o método, é aí que entra o ponto, né? E o método às vezes ele ele é a causa do insucesso do seu trabalho. Não porque você não atingiu a conclusão que você queria, mas simplesmente porque o caminho que você percorreu, ele é falho, ele é passível de contaminação.
E aí o que que acontece? Eh, uma característica que nós trabalhamos com a relação do perito, né? Todo trabalho pericial, por exemplo, ele tem que ser passível de ser submetido a um crio de justificabilidade, de repetibilidade, né, de replicabilidade e de auditabilidade. Então, se eu faço de qualquer jeito, ou seja, sem método, né?
Vamos pensar, o método é um caminho e o logos é o que eu estudo aquele caminho.
Eu acabo tendo um trabalho tecnicamente muito bom, mas eh juridicamente imprestável, né? Ele é um um trabalho que, OK, é bonito, mas eu não eu não eu não consigo ir adiante. Eh, pensando numa relação jurídica, né, forense falando, entrando na no termo forense, ele é um trabalho inútil, né? E a gente chama, a gente rotula imprestável, porque ele não se presta para aquilo que ele se propôs, né? Eh, é como se você talvez fosse um cozinheiro e você fosse um exíio cozinheiro, você fizesse lá um prato, um bolo qualquer, só que você não tomou certos cuidados com a higiene do local.
Hum.
E aí Anvisa vai lá e fala: "Por melhor que você tenha, seu bolo é lindo, maravilhoso, delicioso, mas eh o local você não higienizou adequadamente, não fez os protocolos que a, no caso, que a a Anvisa coloca, então por conta disso, mas o bolo tá lindo, maravilhoso. É, sinto muito, imprestável.
Entendi.
Então, temos esse problema com a perícia.
Perfeito. E onde é que a gente consegue fazer um paralelo disso com a computação? Porque quando a gente fala de perícia, e eu acho que muito dos nossos ouvintes estão com essa mesma imagem na cabeça, a gente pensa naquele cara que chega na cena de um crime, aí tem aquele corpo desenhado do giz branco em volta, as plaquinhas com um monte de número que até hoje eu não sei para que que é. E o cara vai lá com a a luz negra, coleta eh digital, etc.
Como que a gente consegue fazer um paralelo disso pro perito da computação, pro pro cara da computação forense?
Legal. Vamos. Boa, boa sua observação.
Eh, o que você descreveu agora, nós chamamos de local de crime. No Brasil, o correto é local de crime, apesar de também eh nós chamarmos de cena do crime, né? Porque cena vem do americano, crime scene, né? A gente traz traz muitas questões evidence, né? Mas o o correto é você falar local de crime. Mas quando eu falar cena de crime, né? Vamos pensar que aqui é a mesma coisa. Bom, então aquilo é um uma cena de crime, né?
E e o que que você tem ali? Você tem a materialidade, tem o cadáver, né? Então temos lá o primeiro ponto, materialidade. Eu já vou fazer a a a o link com a computação. [roncando] O que que você tem? A dinâmica, por exemplo, está com traumatismo craniano, você aparentemente vê isso, apesar que você tem que levar e fazer uma necrópsia, mas sei lá, sangue, dá alguma coisa assim. Ele está perfurado.
Então você já pensa o seguinte, tá a dinâmica, né? O sei lá, perfuro cortante, uma faca e tem uma faca do lado lá. O que que você tá buscando? A autoria, correto? Então, basicamente o que nós vamos levar pra computação é o mesmo conceito de materialidade, dinâmica e autoria. Eh, a motivação também pode fazer parte, né?
Mas quando a gente leva pra questão da computação, a gente pensa muito em fralde, motivação é financeira ou é revanche, vingança, né? Eu quero fazer aquele porno revanche, né? Mas então, trazendo agora pra computação forense, que que nós temos? Vamos pensar e primeiro que nem toda a atuação do perito é o versionamento de um crime, mas vamos pensar em um crime, um tipo de estelionato, tá? Ou uma fraude tipificada lá no Código Penal, no artigo 171. [roncando] Então existe lá um alguém se fazendo passar por você e contratando empréstimos, fazendo transferências e que não é você. A materialidade tá aí.
Existe lá um um uma fraude, vamos agora dar um nome aqui mais claro, uma fraude.
Pronto, isso é é crime, né? Como é que essa fraude foi feita? Aí o perito começa a entrar para entender como que foi feita a dinâmica. Eh, foi quebra de senha, foi tentativa e erro, foi um j break, foi uma invasão, foi um hat. Aí nós vamos descendo tecnicamente a entender, né, como isso é classificado.
Pode ser um incidente, mas esse incidente gerou uma um impacto que foi um impacto de fraude, tirou dinheiro da sua conta. E aí, por fim, a gente quer analisar a autoria, porque é o que manda no direito penal, né? O direito penal ele tem uma característica que ele não pode passar da pessoa do apenado ou do acusado, né, no presidente. Então tenho que achar autoria, porque se eu levo que a pessoa foi fraudada e explico para pr pro juiz como é que ela fez isso, tá? Tá bom, agora quem que eu prendo? Né?
Então, da mesma forma, nós temos que trabalhar buscando eh a materialidade, ou seja, o que foi feito, a dinâmica, ou seja, como foi feito uma invasão, né?
Então, uma invasão. Então, eu tenho lá, por exemplo, um uma uma eu varri um range de uma rede e descobri que aquela rede tinha uma determinada porta aberta escutando e lá tinha uma determinada vulnerabilidade.
E eu vou lá num CVE qualquer, exploro uma determinada vabilidade que o o cara de segurança da informação não corrigiu há tempo. faço um tipo de acesso não autorizado, cria uma movimentação lateral, sequestro um banco de dados e passo a vendê-lo na deep web e cobrar um criesgate. Isso é crime. Então essa toda foi a dinâmica e a maternidade. O que que nós queremos descobrir? Quem é o autor para penalizar o autor? Primeiro para que ele pare de fazer a extorção, no caso, né? e segundo para que ele eh eh seja punido de acordo com a lei.
Então, na computação forense, o que que o perito em computação forense faz? Ele trabalha com esses pontos. A função é eu tenho a materialidade, eu quero descobrir a autoria e a dinâmica, né?
Então, basicamente a gente trabalha sempre dessa forma, né? 90% é é assim, tem um problema, vamos pensar aqui num problema, né? empresa foi invadida, tem um contrato que você não não nega a autoria, se repudia aquele contrato. Tem a a alguém, por exemplo, [roncando] no meu mestrado, eu fiz um trabalho de deep fakes, em que eu coloco eu pessoas, né, aprendo pela IA em cenas de crime e aí como é que o Ministério Público prova que não é você matar outra pessoa?
Então, eh, pensa, pensa em situações como essa. Então, tem a materialidade. O que que a gente precisa saber primeiro?
como é que aquilo foi feito e segundo chegar na autoria e um subsidiário, como eu falei, talvez a motivação, né? A motivação por direito penal ela é importante porque ela qualifica o atenua lá, é, ela ela pode majorar a pena, minimizar crime passional, né? É, tem uma outra visão.
Eh, e você comentou, professor, que nem sempre tem um crime atrelado. Você consegue dar um exemplo de de uma atuação de um perito de computação forense onde, por exemplo, não é uma investigação de crime?
Sim, muitas, assim, poder te dar meia dúzia, né? Eh, por exemplo, o o que que cai muito para pra pro nosso laboratório de perícia, né? Eh, questões de prestação de serviços de ITI, análise de SL não cumpridos, respostas e incidentes que não foram eh soques que não foram implementados segundo determinadas funcionalidades técnicas. O juiz não entende isso, tá? Então, eh eh sistemas que foram contratados, RPS, um CRM, ah, eu contratei a empresa além, eu aperto o botão, sai do outro jeito.
Então, o juiz quer que a gente analise isso.
Seria uma questão mais cível ali, se, por exemplo, um atrito contratual, etc.
Ou se deveria ter implementado tal coisa, não implementou, mas não necessariamente tem um crime atrelado, né?
Não. O o o por exemplo, nesse caso de sistemas, né? Olha, eu pedi um sistema X acreditando que ele faria isso, me resolveria um tal problema e não resolveu. Aí você precisa, por exemplo, esse é o que muito cai pra gente, né?
Eh, eh, eh, por exemplo, esse filtração de dado, né? Ele tem um pezinho no criminal, mas tem um pezinho no cível.
No criminal eu tô preocupado com um crime, aquilo que tá tipificado no Código Penal. Então, geralmente é é reclusão, detenção, multa, essas coisas.
Hum.
Mas na esfera cível tô preocupado com uma reparação, um dano. Esse pode ser material, pode ser moral, pode ser estético. Então, o que que a o que que a a empresa quer? Olha, eu contratei, você não me entregou, por exemplo. Ah, existem muitas relações que t fraudes [roncando] bancárias e é o que mais tem, talvez pelo momento que a gente esteja vivendo. Eh, infelizmente são pessoas mais vulneráveis, é, é uma classe mais vulnerável, são idosos, né? A grande maioria idoso, né?
Existe a fraude. A fraude é crime. Só que ele não tá preocupado com a fraude.
Ele o o o quem entra com ação, né? Ele fala: "Tiraram 10.000 da minha conta, não fui eu." Quem foi? Não sei. Só que eu não quero que o banco tá me cobrando esses R$ 10.000. Eu quero que ele me devolva.
Então, a questão cível fica entre essas duas partes, né? Ou seja, o autor diz: "Banco me prova que fui eu". E às vezes o banco eh eh por por uma, sei lá, não sei qual a estrutura que eles usam, às vezes por uma negligência de guardar ou fazer os devidos procedimentos, ele não consegue demonstrar paraa perícia que foi aquela pessoa que fez. Até porque é bom lembrar, para quem não conhece, o ônus da prova é sempre do acusador, né?
Ah, nesse caso, sim. Não, não é necessariamente, não existe essa, isso não é uma regra, né?
É uma, é uma lenda. Isso que porque que a maioria das pessoas sempre dizem isso, né? Que o ônus da prova é de sempre quem acusa.
Não, por exemplo, quando há o código de defesa do consumidor, o ônus da prova não é meu. Por exemplo, o [roncando] banco tira 10.000 da sua conta, né? Eh, não é você que tem que provar que não foi você, é o banco que tem que provar que foi você. Você é tecnicamente hipossuficiente.
E o banco que tem toda, quem tem os logs é o banco, quem tem os registros é o banco, quem tem o Face ID é o banco.
Então o banco tem que chegar, fala: "Olha, perito foi ele aqui, tá vendo? Tá aqui tá o dia, tá aqui a geolocalização, foi no e-mail, foi assim, assim". Então ele nos dá um um conjunto de documentos, né? Que a gente extrai, coleta o melhor termo, né?
Durante a durante a fase de instrução de prova, né? fase probatória, a gente pega esses documentos, então a prova é o banco que tem que provar numa numa relação, eh, por exemplo, no penal, né, o direito penal ele trabalha com a verdade real dos fatos e o direito civil trabalha com a verdade presumida dos fatos. Então, no direito no direito penal, quem te acusa?
[música] Quero falar com você agora que ainda não conhece a Clever. Clever é uma empresa que já tem mais de 3 milhões de usuários em 30 países com 30 idiomas diferentes, que tem trazido soluções em blockchain, criptomoedas e ativos digitais. O objetivo da Clever é te dar liberdade financeira para operar nesse mercado de cripto. Então, se você acredita nisso, se você acredita nessa liberdade, você já pensa como a Clever, vai conhecer os caras, é clever.O. estão contratando também pessoal para trabalhar com cripto, com blockchain. Então, se você tem interesse, se você tem conhecimento nessa área, procura a Clever. Se você gosta de criptomoedas, se você opera no mercado, você precisa conhecer a Clever, precisa conhecer as soluções da Clever.
Então, o endereço tá aqui embaixo no vídeo. Para quem não tá no YouTube, é clever. Vai lá, vai conhecer que realmente é um mercado sensacional.
Eu eu não quero transformar isso num podcast direito, mas não, mas vamos lá.
Qual a diferença entre verdade? Porque a verdade para mim é uma palavra autocontida.
É, aí a gente tem a verdade real e verdade presumida.
Isso é qual qual qual é a diferença, professor?
Sem querer interromper o seu o seu sua explicação anterior.
Não, estamos estamos aqui para para explicar. Eh, pensa o seguinte, no direito penal, quem te acusa é obrigado a provar, ainda que você confesse.
Então, tem que buscar a verdade real.
Então, chama-se verdade real. É que parece ter uma verdade que é irreal.
Então, por exemplo, você eh cometeu um crime, tá? E você vai lá e confessa, não cometiu crime, mesmo assim, quem está te acusando, no caso, num crime, homicídio, artigo 121, é o Ministério Público, né?
Ele que te acusa, né? Tem investigação, né? Inquérito, etc. Delegado, oferece denúncia, etc. Você vira réu, mas é ele que tem que chegar e provar. Mesmo que você confesse, eu tenho que ter perícia.
Eu não posso suprimir a perícia. Isso é um artigo até do Código Processo Penal, a confissão do acusado. Então, eu tenho que te provar, mas por quê? Quem sabe você não tá encobertando outra pessoa, você não tá ganhando para confessar.
Então, se houver dúvidas que foi você, eu tenho que te inocentar.
Então, a perícia, mesmo que eu tenha confessado, mesmo que eu tenha confessado. Então, a verdade, a verdade é é o que nós chamamos no direito de verdade real.
Quando você vai pro direito civil, ah, você presume, tem um artigo inicial do direito civil, artigos, os 11 primeiros artigos são principiológicos, né? Então, o artigo 5º e sexto fala das partes, da boa fé, da cooperação. Então, quando você tá no direito cível, que é aquele direito dos particulares, é você e o banco, né? Presume-se que o que você tá falando, você tá de boa fé. Então, a essa boa fé, ela é subjetiva. A má fé tem que ser provada. Então, quando você fala pro banco, pegando nessa questão, olha, banco, tiraram 10.000 da minha conta, é um crime, não fui eu que fiz, você se vira lá para ver quem cometeu esse crime, para você ir atrás lá do autor, certo? Tem que ser investigado.
Agora eu quero meus R$ 10.000 de volta.
Então o banco fala assim: "Não, mas você tá de máfé, então você tem que provar".
Uhum. Entendi.
Tá vendo? Então, a prova passa a ser minha. Eu não tô achando que o banco tá de máfé. Alguém fez se valer por mim, fez aquilo que nós chamamos de fraude de personificação, né? E tirou lá 10.000 da minha conta. E o banco tá falando, ó, então banco, você me prova agora que fui eu, senão você vai ter que devolver meus R$ 10.000. Ah, mas eu tenho aqui só o que o banco, principalmente os bancos digitais são muito, no meu ponto de vista, agora colocando um pouquinho crachá de cyburity, né? Eh, às vezes são muito pobres na questão da dos logs, né?
Da qualidade dos logs, né? Isso precisa ter uma qualidade para que você prove.
Então, aí você fala, você chega a uma conclusão, olha, o seguinte, quem tirou esse dinheiro foi alguém que não dá para trelar, né? tem que ter um nexo de causalidade ao autor da ação. Então, como aquela inversão do anos da prova ela se vale no caso em que eu ganhei, eu fui equiparado pelo código de defesa do consumidor, né? Então, os na prova não é mais meu.
Entendi.
Perfeito. E ficou claro o o a atuação do perito em casos que não são criminais, mas aí me levou uma outra dúvida. É possível ou existe uma atuação de um perito em algum caso que não seja judicial?
Sim, sim. Nós trabalhamos muito na questão extrajudicial, eh, em, por exemplo, numa produção antecipada de prova. O que que é uma, o que que é uma questão extrajudicial? É, antes de eu ir Uhum.
né, pro juiz lá, bater na porta do judiciário, né? Eh, então, por exemplo, [roncando] minha empresa sofreu um tipo de exfiltração de dados, alguma coisa assim. Ou pensando na questão da LGPD, eu tive algum tipo de violação de dados, né? Lembra? Todo, toda, todo vazamento é uma violação, mas nem toda violação é um vazamento. Então, eu tô discutindo com operador. Eu sou controlador, eu tô discutindo com operador, pegando um caso bem cível, bem raiz. [roncando] E eu quero entrar com uma ação porque a NPD vai vir em cima de mim e eu quero falar NPD, olha, eu quero responder até porque eu tenho a responsabilidade legal, mas a eu preciso trazer alguém junto, né?
chama chamamento ao processo, por exemplo. Então, nós fazemos uma análise interna, pensa como uma auditoria ou uma sindicância, tá? Mas mais tá mais para uma análise mesmo. E dessa análise nós trazemos elementos para dizer: "Olha, você aqui tem materialidade para entrar com o processo lá". Então, só você tem aqui, você tem robustez, né? O teu, o tua prova a seu favor, tá, né? Eh, pensa lá que tá tá muito caracterizada a teu favor. Então, extrajudicialmente você produz esse material, é um parecer, a gente não chama relatório de auditoria, chama de parecer, né? E aí você chega com o advogado para essa empresa e fala: "É o seguinte, eh, eu tenho um direito aqui, tá aqui minha prova, blá blá blá blá blá, vamos entrar no acordo. Se você não entrar no acordo, vai virar judicial, vou judicializar a questão." Então, deixei de ser extrajudicial, mas aí eu já entro com no no petição inicial, né? Eu já entro pedindo, olha, com base nisso, nisso, nisso, ó, tá aqui, blá blá, o autor requer que isso aqui, então eu já vou, já vou, já vai com outro peso, né?
Já vou com embasado. Que que o juiz fala? Bom, o juiz ele analisa, né? Em raríssimos casos ele pode jogar, ele tem que citar a outra parte paraa parte em 15 dias oferecer uma contestação, né?
Ela vai dizer: "Ó, não, mas aqui tá errado, aqui tá errado." Aí aí vai o peso dessas provas aí produzidas, né? E aí o juiz pede, bom, como você tá dizendo A e você tá dizendo B, eu vou, eu não entendo do assunto, eu vou nomear o Ricardo Capose para ser perito, para dirimir esse tipo. Então o perito aí vai trabalhar em cima disso para dizer, ó, realmente o que o autor falou é isso, mas o que o o a gente chama de requerente requerido, né? Eh, autor e ré, vamos lá, o réu falou, é isso.
Então, a gente traz isso pro laudo, né?
Aí o resultado de um trabalho do perito a gente já chama de laudo pericial, né?
Perfeito.
Então, antes a gente trabalha nessa questão extrajudicial, produzindo um ou antecipando uma produção de prova.
E e professor, existe alguma alguma entidade eh do Estado em relação a peritos? Por que que eu tô perguntando isso? Porque eh como como esse exemplo que você acabou de comentar, eu fiz uma perícia pessoal minha, fui lá e já entrei na minha petição já com um um relatório ou ou com um laudo lá do do perito. Aí vem um o o a outra parte vem e traz uma outra perícia com um uma questão diferente, né?
Essas relações que são particulares entre as partes e a perícia, como que o juiz regula isso? Ele existe, por exemplo, um Ministério Público dos peritos que fala: "Não, eu vou nomear esse cara que é do estado e ele vai fazer isso?" Como funciona?
Então, quando nós estamos falando de perícia cível, vamos pensar em justiça comum, tá? Nós temos assim, justiça comum e justiças especializadas. Então, justiça comum é aquela justiça estadual ou federal. E a justiça especializada é a do trabalho, a eleitoral, a militar.
Eh, essa justiça, quando você está falando de não crime, né, que não é um crime, ah, a nomeação ela é uma faculdade do juiz. Você se cadastra nos tribunais ou você se cadastra nos TRFs, que são os federais, né? são feitos por regiões, são sessões judiciárias ou você vai pro para pro TJ de Minas, São Paulo, Santa Catarina. E aí o juiz olha lá numa lista, é preciso de um perito químico, perito farmacêutico, perito veterinário, perito em computação. Aí o juiz fala: "Bom, o A tá falando uma coisa, o B tá falando outra coisa. Bom, eu não entendo o que eles estão falando, né? Eh, então aí eu tenho essa nomeação. Não existe um uma entidade que represente os peritos judiciais.
Deixa eu explicar, senão você vai chover de de de [risadas] dislike aqui. Deixa eu explicar. Ah, o perito o judicial, diferente do perito criminal, que esse senha concursado pelos estados ou trabalha nos institutos de criminalística ou é o perito federal, né? Eh, esse sim tem a sua seus órgãos que os representa, tem as suas associações, etc. Você não pode entrar, por exemplo, eu não sou perito federal, não posso pertencer associação dos peritos federais, né? Não faz sentido.
Os peritos judiciais, eles existem entidades, eu mesmo faço parte de uma, né? tem que uma abrangência nacional, mas ela não é um órgão de classe.
Acredite você, se quiser, a profissão perito, tecnicamente falando, ela não existe perito judicial, aquele perito que eu expliquei, que é nomeado pelo juiz. Eu não poderia eh, por favor, aqui é uma visão, há há pessoas que vão dizer outra coisa, mas não não tem essa posição. Como médico tem um CRM, como advogado tem uma OAB.
Como um contador tem o CRC, o corretor de móveis tem o CR e por aí vai. O o profissional de tecnologia também não tem, né?
Desenvolvedor não tem categoria, arquiteto não tem categoria.
Não temos. Já seria legal ter lá a antiga, quando eu fiz há muito tempo, eu fiz técnico em processamento de dados e tinha depois o CREA abriu, não sei se ainda tem, ele abriu uma possibilidade de você ter um CREA nessa área de redes.
Eh, eh, eu não sei se ainda existe, se virou, né? Não, mas eu lembro que era talvez o que chegou um pouco mais próximo, né, de você poder pegar o seu diploma, porque eu dou aula numa, eu dou aula num, numa faculdade, eu dou aula de redes para um, por um curso de rede chamada redes tecnologia de computador, tecnólogo em redes de computadores.
Então, teve isso, né, mas o perito ele então não tem essa esse órgão de classe e ele também não é uma produção regulamentada, né? estava aí, está ainda uma pele aí no cenário e eh do do legislativo, né? Não é prioridade, obviamente, né? Eh, eu até, se eu não me engano, era do deputado, não quero me falhar o nome aqui para não falar bom, mas que ele tava querendo regulamentar essa posição do perito, né? Então, hoje não tem para você ser perito, ah, você tem pouquíssimos pré-requisitos. Lógico, por exemplo, eu não posso ser um perito médico se eu não fiz medicina. Eu não posso assinar laudo de uma estrutura se eu não sou engenheiro civil, né? Assinar um um balanço, analisar um balanço se eu não sou um perito economista, um contador ou um administrador, né? Então tem o CRA, por exemplo, do Conselho de Administradores, né? Agora o TI não, o TI o cara pode se formar em ADS e ele pode ir para redes, ele pode ir em rede fazer uma perícia em ADS. O o juiz nunca vai perguntar isso para ele, né? E tanto que eles chamam a gente de perita informática. A gente tem aquele rótulo do cara de informática, o cara da que conserta a impressora.
É o cara que passa [risadas] a cabo, põe torner na impressora, né? Formata disquete e vai lá e faz a perícia. Então a visão que ele tem, né? Não é uma uma visão 360. Quando você contrata, nomeia, né? O correto é você nomear, não, não é contratar. Eh, quando você é investido de uma nomeação, você é perito por quanto, né, nomeado. Então, quando você contrata, bom, falando contrato, quando você nomeia um perito médico, o G sabe o que que ele quer. Ele quer que ele analise, por exemplo, uma radiografia.
Olha só, tá dizendo que ele tem um dedo torto e não pode tocar piano. E aí esse dedo impede de tocar piano. Ele quer essa relação do do perito médico. Ele ele já sabe o que ele vai esperar do perito médico. Quando ele vai para uma área de TI, qualquer outra coisa que fuja. Então se, por exemplo, eu já fiz trabalhos em tacógrafo de caminhão, cancela de de eh de pedágio, né? É, é câmera de TV, câmera de fotografia para ver que dia que uma foto foi tirada e questões de áudio, questões de documento, que a gente chama de documentoscopia, se um PDF é ou não válido. Então, eh, toda essa questão, tudo aquilo que versa, é para tem um trabalho que eu fiz interessante, né? Eu peguei um celular que a pessoa falou: "Olha, meu celular foi pro conserto e voltou sem a TV digital". Tinha uma TV digital, né? Oxe, tinha uma TV digital, então o que que fizeram? Tive que pegar aquele celular e entender, né? E aí analisando, analisando quando foi para eles formataram, mudaram a versão do Android e a versão do Android que não não deixava instalar o celular digital.
Então são situações como essa que o perito que o juiz fala: "Então não sei quem é, vai o cara de tem mesmo, né?" Entendi, entendi.
Você que tá aí escutando esse episódio bacana e quer levar toda essa tecnologia, essas novidades pra sua empresa e não sabe como, chama o time da Vembers. A gente pode ajudar vocês com desenvolvimento de software, com arquitetura de soluções, a entender os problemas que vocês estão vivendo e sair do outro lado com uma solução bem bacana. E se você tá escutando o podcast para aprender coisas novas, faz o seguinte, manda um e-mail pra gente no [email protected] e você pode fazer parte também do nosso grupo de talentos. Valeu.
Agora o time do Relações Públicas vai gostar mais de mim.
E mas então não existe essa questão do das partes escolherem, né? Porque aí se o juiz nomeia, cai alguém que o ideal é que seja neutra paraas pras ambas ambas as partes, né?
É a o princípio da perícia, ele é a imparcialidade, né? A lisoura imparcialidade. O assistente técnico que atua para as partes, ele também tem que ter eh idôneo, né? Tem que trabalhar com a lisura, mas ele é parcial. Por exemplo, se eu chegar e e falar: "Olha para um cliente, olha, achei um erro aqui que ele vai falar: "Tá bem, então descarta isso. Não vamos mentir, omissão ainda não é crime".
Mas aí o o juiz ele pode questionar, por exemplo, no caso que você deu de exemplo, eu fiz já uma perícia pessoal, minha particular para já dar peso na minha petição inicial. O juiz pode questionar, falar: "Não, eu quero uma outra perícia de um perito nomeado." Sim. Um perito meu, alguém que é de minha confiança. Sim. Eh, só te só te dando uma uma resposta, eh, se as duas partes entrarem num acordo, é um pouco incomum. Então, tem uma perícia. Olha, tem uma perícia. Nós gostamos do Ricardo. Posso juiz que ele quer, a gente quer indicar o Ricardo. Se as partes estiverem de acordo, pode indicar o Ricardo.
Entendi.
Tá. Senão não. Indica lá meu irmão lá, meu amigo.
É, não. Meu sobrinho sabe usar o computador, ele vai fazer a perícia.
Então aí o juiz fala: "OK, se vocês aceitarem isso, tá lá no no Código Processo Penal, né, desculpa, no Código de Processo Civil, tá lá que a indicação pode ser. Caso não é muito comum isso, o juiz pega e nomeia alguém de confiança.
E o que que é interessante? No momento de julgar, né, momento que ele prolata a sentença, né, o que que o juiz tem que pegar? Tudo aquilo que as partes falaram, tudo aquilo que ele, as testemunhas, os documentos são são mais de um tipo de prova. A prova pericial é a única prova técnica. Como eu falei, eu teria que pegar esse parecer teu particular e também analisar, pegar o do outro e analisar, pegar um questionando o outro e analisar e depois pegar o laudo do perito, se se teve um laudo também analisar, né? E aí com base nisso, ele vai recortando partes. Olha, conforme o assistente do autor falou, já o assistente do réu falou, ele recorta eh partes do meu laudo, por exemplo, e vai dizendo, conforme o perito disse aqui, o log x, y z tal, ele vai montando a convicção para porque ele é obrigado a quando dar a sentença, fundamentar a sentença.
Entendi, né? Senão ele toma lá uma inversão lá, né? você recorre lá, ele vai ter que tomar.
E a sentença pode ser inclusive e baseada nas duas perícias dos dois lados, por exemplo, que ele vai fundamentar de acordo com, não é que uma está certa, outra está errada, ele vai se fundamentar nas duas, porque ele considera que as duas estão certas sobre óticas diferentes.
Perfeito. Eh, o que você falou é o seguinte, é uma coisa muito interessante e eu converso com o juiz, né? Veja bem, quem quem mostra um lado, é assim, eh eh eu fico pensando hoje que a gente tá muito parecido com a Iá. A Iá faz tudo para te agradar. Você se você der um negócio falar: "Critique isso", ela vai criticar. Você vai elogia isso, ela vai elogiar. Ela não sabe que aquilo é certo ou é errado.
Então o juiz, quando ele pega essas dois relatórios, né, esses dois pareceres e o laudo, por exemplo, num terceiro laudo, ele vai olhar sobre a ótica de cada um.
Só que o que que acontece? E isso é o que talvez o juiz precise ler ou quando ele leia, não, né? Porque eu não sei como é que ele recorta lá, né? Alguns já me disseram, todos falando assim: "Ó, seu perito, eu só leio a sua conclusão".
Então, você põe um relatório de 200 folhas, ele vai lá na conclusão e ele vai tirando daquilo.
É que nem a gente quando recebe eh laudo de exame, né?
Hum. médico, vem um monte de imagem que você não entende e aí lá no final temá eh tem o possível diagnóstico, você só lê aquilo porque é o que a gente entende, né?
Sim. E você tem aquilo e aquilo é que tá na na Então é parte daquilo que ele vai ter que trazer recortando, né? Falar conforme isso, com base naquilo, conforme diz is então assiste em razão o autor tanto tal. Então ele vai montando isso, ele vai criando a sua convicção fundamentada, né? Ele também pode pegar e descartar o laudo. Fala: "Não, ele não é obrigado a ficar distrito ao laudo para julgar, né?" Mas quando ele julga em cima do laudo, ele tem que dizer: "Olha, conforme tá dizendo aqui, conforme tá dizendo ali, etc, etc." Então, o que que acaba acontecendo muito quando a gente entrega um laudo, geralmente, não é uma regra, geralmente e alguma parte é desfavorável, né?
Então, ó, então um um tecnicamente falando, você mostrou que o A tem mais razão que o B, né? E e aí o o o B, né, entrar criticando, não, porque você não fez isso, você não fez aquilo, não fez.
é o papel, faz parte do jogo. E aí você tem que dizer: "Olha, a leitura que você está fazendo, e aí eu faço uma crítica aos sei que a gente tá tá indo, não quero indo pro mundo direito, mas eu faço uma crítica aos advogados, mas tá tá tá muito bom para para pessoal entender de fato." É. Então, então eu te digo, o que que acontece é você não sendo da área médica, querer ler os exames e entender lá eh eh a radiografia.
Uhum.
Então eu falo: "Pera aí, advogado, você tá querendo ler a radiografia, você não não entende nada de radiografia, você nunca fez um primeira vez caiu na radiografia na então você tá achando que aquilo é um fantasma.
Então a e eu critico muito a crítica pela crítica. A crítica ela tem que ser na fundamentação e na metodologia.
Então o cara começa a criticar o seguinte, a gente faz um trabalho lá, eh, acidente de trânsito e o cara quer que eu o pegou o carro, saiu, bebeu, né, né, e e matou a pessoa lá. O cara quer saber a marca da cerveja ou o cara quer saber se o IPVA tava pago. Por quê?
Porque ele tá perdendo, ele quer tirar atenção. Uhum.
para dizer e gerar um é é que não faz não existe conexão. E aí o nosso trabalho é trazer esse tipo de observação. Falar assim: "Olha, você tá perguntando uma coisa que não tem nada a ver". Ou pior que eles fazem aí, aí eu acho que gera um pouquinho até malcaratismo, eles pegam fragmentos do trabalho pericial, né? Primeiro que eles fazem umas perguntas que é um quesitos e umas perguntas que eh eh para não dizer o nome feio aqui, são perguntas tolas, né? Eh, o senhor tem certeza absoluta com 100% de convicção? Aí você tem que escrever uma tese sobre é e dizer que não há convicção.
E aí quando ele então aí ele recorta lá, portanto não existe certeza. Aí ele pega aquela parte e fala: "O perito afirmou que não tem certeza absoluta". É lógico que se eu der certeza absoluta, por si só, eu [roncando] já tô errado.
Uhum.
E isso é isso é uma frase metafisicamente falando já errada, né?
Então, a pergunta é errada, só que ele quer que eu dê uma resposta errada para pegar aquela resposta e dizer e tentar desdizer o que eu disse. Então, você tem que tomar muito cuidado com essa pegadinha, né? Então você pega um log lá, a gente nós a gente analisa muito log, log, log. Então o cara tem um log lá e você fala: "Ó, o log não dá para saber pelo log que você me apresentou, não dá para saber se aquele Face ID desvalidou o José".
Pronto. Mas também ele não disse que não desvalidou. Tem um princípio, Wellington, isso é um princípio científico. Então, já que você gosta de astrofísica, você deve conhecer o Cagam, né?
Mestre Calseio, não dá para não falar, né? Depois tem o o o New Grees, né?
É. Então, o Cagan tem um livro chamado Mundo Assombrado por demônios.
E nesse livro ele fala assim: "Se eu e você saírmos para uma expedição de um ano para buscar dinossauros e depois de um ano a gente andou o mundo todo e não achamos. Eu posso concluir que não existem dinossauros?" Não, porque a ausência de evidência, ele fala isso no livro, não evidencia ausência. Quer dizer, o fato de eu não ter achado não quer dizer que não existiu, significa que eu não achei.
Uhum.
Que os métodos que eu não achei na os métodos que eu usei ou pela análise ou pela qualidade do material que a gente recebeu, eu não achei. Mas o material tá aqui e o método empregado foi esse. Eu não achei. É diferente de você afirmar que não tem. Eu não posso chegar aqui e escrever um tratado científico. Não existem dinossauros no mundo.
Com base em quê? Com base em que eu andei e não achei, né? E se quando eu tô aqui o dinossauro voou para outro lado, eu cheguei aqui, ele voou pro outro lado. Eu não achei. Quer dizer que ele ele usou um tipo de ofuscação e simplesmente o fato de não entender.
[roncando] Então o operador do direito às vezes eh ele não entende isso, né? E ele quer colocar isso aqui, ó. Não existem dinossauros no mundo. O senhor perito afirmou, eu não afirmei.
É um conflito de visões de mundo, né?
Porque na ciência a gente entende isso claramente, que eh existem fortes indícios de que não existem dinossauros, porque o meu método científico atual me leva a crer que isso, mesmo que eu não possa afirmar categoricamente que não existam, né?
Uhum. E o o isso isso é uma coisa natural pra gente da ciência, né? Mas isso pode ser usado para essa outra área que era do direito, que é a arte da retórica.
Sim, né? E aí são duas visões conflitantes, porque se eu falo isso dentro de um ambiente científico, não tem problema nenhum. Agora, se eu quiser transformar essa informação usando a arte da retórica para dentro do objetivo que é a da profissão do advogado, quer defender os interesses de quem ele tá defendendo, sim, são coisas que ficam conflitantes, que são visões de mundo muito diferentes, né?
Sim. Mas o aí tem uma coisa que pesa contra, né? Quando a gente fala na retórica, [limpando a garganta] que é o papel do advogado, né? O Paráclito, né?
Eh, ele ele não estaria errado nisso. O que eu acredito que existe um erro é quando ele quer fazer uma crítica eh e não consegue fundamentar a crítica. O advogado argumenta, o perito fundamenta.
Isso está lá no CPC. Eu sou obrigado lá, o artigo 473 me obriga a fundamentar como eu cheguei às conclusões. Eu não posso falar, então foi ele que fez. Não, mas como conta disso, disso, disso, disso? Um laudo não tem menos que 60 páginas.
Eu tenho que explicar tudo, ó. Isso aqui, b fez, fez tal, tal, tal. O que que o que que talvez a retórica ela ela ela é ruim nesse ponto? É aquilo que eu lhe falei. Eh, ele não consegue atacar o método.
Fala, não, não dá para atacar, tá? Tá impecável o método. Tá aqui bonitinho, tal, tal, tal, tal. Então ele começa aí pela relação eh eh do tipo assim, mas o perito não provou certeza, né? per não.
Então ele começa a entrar nessa questão porque é lógico, eu não tenho que provar certeza, né, na na nacepção mais crua, estrito senso da palavra, porque simplesmente hoje o meu trabalho pode ter dado um resultado. Daqui 5 anos você vai analisar o meu trabalho com uma outra ferramenta, com uma outra metodologia e falar: "Opa, tinha um erro aqui".
É a ciência evoluindo. Lembra? A ciência é uma verdade provisória. Você não é dogmática, não é religião. Acredita aí.
E o que que às vezes o advogado quer? É pensar, fazer, transformar o meu laudo num dogma religioso. E aí você não você não critica dogma, né? Sei lá, uma religião X fala para você fazer tal coisa, você aceita, senão você sai da religião, né? É dogmático. Aceita. É por quê?
Porque é assim.
É, a gente vê isso muito hoje no mundo atual, né?
inclusive, enfim, sem eh direcionar a crítica a a ninguém ou nenhum partido, etc. Mas a gente vê muitos problemas de políticos questionando ciência, justamente com essas questões de validade, de critério científico, não. A gente tá num momento meio meio conturbado para esse tipo de coisa, né, professor?
Sim. [roncando] Mas hoje nós temos, por exemplo, a gente eh eh tem muito método, tem muito procedimento, você tem os procedimentos operais operacional padrão, você tem guias e manuais do próprio da própria Polícia Federal que a gente se serve disso. Você tem ISO, né, isso todo mundo conhece, que falam, como, por exemplo, fazer cadeia de custódia, como fazer investimento. Tem ISO, tem mais de 12 ISOs, por exemplo, que você usa para tratar um incidente de segurança. Assim como você tem ISO para 27.000, paraa família 27.000 que fala de gestão de seguranmação, tem ISO para pras diretrizes de Aar. Então você tem hoje umaidade, mas em nenhum momento você vai entender que a aplicação daquilo é uma garantia. Mas eu te explico o seguinte, uma das quando a gente faz muito trabalho com violação de dados, uma pergunta que o juiz faz é a seguinte, né? O juiz pergunta, ele quesita, né? A gente chama de quesitos.
Fala: "Queiro o senhor perito verificar se a empresa adotou as boas práticas de segurança?
Você adotou boas práticas de segurança?
É uma pergunta um pouco aberta. Aí eu devolvo: "O que é uma boa prática de segurança? Com base em quê? no NIST, por exemplo, na ISO. Então eu falo: "Olha, eh, a empresa mostrou um plano, um plano de gestor de segurança da informação. A empresa me mostrou uma diretriz, um documento formal, etc. A empresa tem um certificado, ela é ela, ela tem a ISO 27.001, por exemplo. Então eu levo esses elementos pro pro juiz, falo: "Juiz, olha, eh não existe no Brasil uma lei que homologue que a ISO 27001 tem que ser obrigada a ser seguida. Não, mas eu vou explicar pro senhor, é uma boa prática, ela tem 93 controles, etc, etc." Então, quem segue aqueles controles vai harderizando, inessando, eh, não operação, mas a elevando o grau de maturidade, seguras da informação.
Então, vou construindo uma narrativa por isso fala: "Então tá bom, então a empresa fez o possível, você leva informações para que o próprio juiz conclua se aquilo são boas práticas ou não." Isso eu falo, a empresa fez o possível, né? Ela fez, ela fez o que tava ao alcance dela para impedir a invasão.
Então o, o retorno do perito não é sim, teve boas práticas. Ou não, não teve boas práticas. Você fundamenta para que o juiz conclua isso, né?
Sim. O o eu sou obrigado a fazer isso.
Processualmente falando, respostas lacônicas que é sim, não. Sim, não, sim, não é não. Sim, não. Eu não posso dar, eu não posso dar essas respostas, né?
Eh, sei lá, a não ser como a resposta é uma pergunta muito taxativa, sei lá.
Pensa assim, o senhor perito encontrou um um manual X? Sim, encontrei o manual X. Você repete aquilo, fica meio papagaio, né? Mas quando o juiz me faz essas perguntas, as partes fazem essas perguntas, né? É muito importante que a gente explique fundamentando o porquê.
Até porque é uma pergunta qualitativa, né?
Sim. Sim.
E não discreta.
Sim. E, e, e essa pergunta qualitativa, eu só tenho que tomar um cuidado com ela. Eu não posso adjetivar, eu não posso falar: "É bom, é ruim, é legal, não é legal". Tipo, né? Nossa, que maravilha de política. Nossa, né?
Beleza.
Uma política incrível, muito perfeita.
Não é? Já pensou falar uma política maravilhosa? Eu gostaria de ter uma política dessa? Não, eu não posso eh me apaixonar pela tese, né? Isso é muito importante. Uma dica que eu dou para quem tá iniciando na área e eu não posso eh adjetivar, eu não não coloco ruim, bom. Eu falo a existia uma política.
Quando o advogado me pergunta a política era boa? Aí eu prejudico e falo: "Não, olha, eu não tenho qualidade para dizer se era boa ou não, porque eu não tenho uma régua para medir o que é bom ou não, entendeu? Porque essa questão é muito subjetiva. Eu mostro pro juiz que ele tinha uma política de segurança da informação, por exemplo, e essa política foi aplicada e mesmo assim teve tivemos lá um problema. Aí o juiz vai sopesar, né? Porque, por exemplo, pensando aqui em LGPD, na dosimetria da pena, isso é influenciado.
Então, uma empresa que foi invadida, que tava lá escancarada e uma empresa que teve muitas salvaguardas também foi invadida, a penalidade nessa dosimetria, ela é diferente e faz sentido, né?
O descaso tem que ser penalizado, sim, ele é mais penalizado, [limpando a garganta] muito mais penalizado, ou seja, é o que a gente espera, né? Eh, então, eh, eh, a gente vê isso muito em crime culposo, diferente do crime doloso, né? Então, essa relação, o o juiz ele ele quando pega o nosso trabalho, ele entende bem isso, ele ele vai a ele vai nessa questão analisar isso, né?
Professor, agora uma eu queria fazer uma dinâmica aqui com você.
Sim.
Pra gente entender exatamente como que é a anatomia de uma perícia, como que isso acontece na prática.
[roncando] Eh, vou pedir a sua autorização pra gente usar um caso prático. Sim.
Na prática aqui, um caso desconhecido aqui no Brasil que a gente tem comentado muito pouco, o celular do Vorcaro.
Hum.
Vamos supor, esse celular ele foi apreendido, certo?
Para onde ele vai? Como que começa? Quem mexe nesse celular?
Como que sai essas informações que estão indo agora para pra mídia? falou com o fulano, era mensagem efêmera, não era?
Como que é essa essa timeline?
Ó, eu vou dizer de uma forma, não só o celular do Vorcaro, como qualquer celular ou como qualquer artefato computacional, tá? É assim, eh, primeira coisa, tem que existir um forte indício de materialidade que você está cometendo um crime ou cometeu um crime. Então, tem que ter um forte indício. E aí você não vai ficar sabendo, é claro, né? Eh, um juiz expede um mandado de busca e apreensão que é executado por uma autoridade policial, uma autoridade judicial. Tudo bem? Então, até aí a primeira coisa. Então nós fazemos busca e apreensão. Então sempre vai um oficial de justiça, que é ele que cumpre, né, junto com a autoridade policial, etc. O perito vai junto ou não, não há necessidade. Mas deixa eu explicar, senão vamos também vão me bater aqui.
Então o que que eu quero? Eu quero e no artigo 158B do Código do Processo Penal, que veio com a lei 13964, que é o pacote anticrime, né, do Sérgio Mour de 2019, criou-se porque antes não tinha 10 etapas para serem cumpridas para essa questão de coleta, cadeia de custódia. Vamos chamar isso de cadeia de custódia. São 10 etapas, desde a identificação do artefato ou do dispositivo até o descarte, tá? Tem que ser cumprido aquilo. E se você não cumprir aquilo, que eu vou explicar como é que cumpre, né? Aquilo é imprestável.
Então vamos lá. Tem a busca e apreensão, tem o mandado de busca e apreensão.
Então ali o juiz tem que dizer o que que a gente pode e o que que a gente não pode fazer. Hum.
Então, falar, autorizo, vamos pegar um exemplo assim, autorizo a obtenção, a apreensão de todos os celulares que encontrar na casa dele, no endereço tal, ou de todos os celulares, inclusive microfone. Por exemplo, eu tô fazendo um trabalho agora, só fazer um parênteses que eu tô criticando um trabalho da da autoridade policial porque eles levaram a mochila, mouse pad, carregador de celular desnecessário. Até eu coloquei no meu trabalho, mandei hoje esse trabalho, falei assim: "Olha, é onde um mousepad guarda informação". É para tumultuar. Mas vamos lá. Então, o juiz determina isso. Então, o que que eu tenho que fazer? Primeira coisa, identifico, né? Identifico, né? Eh, evito, ao quanto possível, né? Manipular ou manusear. Eu tenho que identificar.
Quem faz a leitura do do mandado de busca apreensão é oficial de justiça.
Então a gente, olha, você pode dizer, então a pessoa dá lá o celular, que que a gente faz? Foto, foto, foto. Tudo bem?
Não mexe em nada, não sai da sala porque não pode ir lá, porque eu não sei se ele vai na outra sala, dar um comando e sanitizar o celular dele. Desliga tudo, ninguém mexe. Se você vai numa empresa, por favor, se afastem do teclado, né? Coisa que a gente faz.
Porque pode ser que um cara fala: "Puta, tem que apagar aquela planilha agora".
Não se afaste, por favor. Por favor, então você faz isso. No caso aí uma questão de um particular, você vai lá, que que você faz? Então você tem que pegar o artefato, eh eh se ele colaborar com a senha, né? Você já tira o chip, já coloca o no modo avião, já desliga, OK? Coloca isso numa sacola de farade, num na numa sacola que ela é imune a essas resistências eletromagnéticas, essas interferências eletrom não resistência interferência, né? Você etiqueta, tirou foto, tudo bonitinho, etiqueta e o oficial de justiça vai lavrando o auto de busca e apreensão.
Esse cara vai junto, tem tá lá, tem tá lá assim, o oficial de justiça é quem faz e vai isso, ele vai lavrando, vai anotando o que que tá sendo eh coletado, etc. Isso. Ele lá no dele e eu e eu e eu no meu caso, se eu vou como perito, eu vou eu levo um formulário chamado cadeia de custódia, formulário de cadeia de custódia e eu vou fazendo esses preenchimentos.
O maior número de detalhes possível. Às vezes você vai pegar um pen drive genérico, ele é um cinza, pen drive cinza ou flash drive, né, que é o nome mais correto, flash drive cinza, não sei o tamanho, marca, não sei. Vou lá, tiro fotos, tal, né, e vou narrando, pego o intacto, etc, etc. Então, a a apreensão no momento lá, ela não deve não deve ser manipulado o artefato, né? Você tem que ter rotul, a identificação, a rotulagem e a custódias. Ele tem que ser acautelado, lacrado. Tem um lacre, tem um número do lacre de um saco único, né? E tudo anotado, cadeia de custódia lá e auto de busca e apreensão, tá? Anotado, tal, etc. Isso é levado para o Instituto de Criminalística, né? Pegada a Polícia Federal. E lá dentro nem procedimentos corretos, né? Você tem o deslacre, você tem o auto de deslacre, tem as fotos, tem tudo. No dia tal recebi o artefato tal do lacre, tal, tal, tal, tal, procedre e tal. É uma timeline, tudo bonitinho, tá aqui. Aí você desmonta o celular, né? E é o chip, o cartão de memória, etc. Tudo aqui o celular tava mostra que o celular tava desligado, se possível filma, né? mostrando isso. E aí o celular naquela situação você coloca num aparelho mais comum de todos é o celebrite, né? E ele vai fazer a extração de todo o aparelho.
Essa extração nós chamamos também cópia bit, imagem forense, mas é como se fosse uma imagem ISO do estado atual da máquina, digamos, analogamente falando. Sim. Tá, exatamente isso. Só que ele shot, né?
Perfeito. Só que como o artefato ele eh, no caso, por exemplo, quando eu tiro de um HD, né, eu chamo uma análise pósmortem, né, a máquina tá desligada, eu não não ligo o HD, eu coloco numa máquina um tablô, né, ele ele do lado esquerdo, ele é a origem do lado direito, ele é o destino. Então ele vai fazer uma cópia, só que não um conttrl C, conttrl V. Exatamente. Ele gera uma imagem, não é bem um padrão ISO, mas é um outro padrão, né? O mais comum é o E01, que é um padrão em case forense, né? Um DD, o Linux gera DD ou um how também. E aí eu gero essa imagem, o artefato original eu de novo lacro registrando tudo sempre lá.
Então você faz uma cópia de trabalho, digamos assim.
Isso. Isso. É só que essa cópia de trabalho, eu tô registrando todo lacre.
Bon, põe um novo lacre, lacra antigo eu guardo dentro. É tudo registrando lá.
Recebi. Quem que recebeu? para quem que deu, para quem que retirou. Tudo isso tem que ter assinatura. Ó, eu te entreguei aina que você tá recebendo agora me assina que você tá me devolvendo, tá? Então tudo isso aqui tem que tá registrado, tá? E isso depois vai pro laudo. Hum. Isso vai pro laudo do perito. A extração forense, vamos chamar aqui de extração forense, que extrai a imagem forense, ele já gera um hash daquela imagem. Então não importa se eu tô extraindo, pegar aqui o celular, tô extraindo todo o ambiente do celular.
gera uma extração, gera uma imagem, ele me gera um H. Geralmente a gente usa o SH256, SH1, o MD5, pelo menos dois é bom gerar para não ter colisão de hash. Ger, eu posso fazer uma, duas, 10, 15 cópias.
Uhum. Porque eu não corro mais o risco de contaminar o original ou de e e corrir isso tiver errado, mas se você faz alguma ação dentro dessa imagem em busca de alguma informação que porventura perde outros, não perde. Essa é a característica da imagem forense.
Ah, ela é imutável. Isso. Ela tem uma, ela tem um um time stamp e eu tirei uma foto daquele momento. Pá, inclusive quando eu faço a consegue fazer uma restauração da imagem pro pro padrão.
Isso é não é não é bem restauração. Vou explicar. Eu consigo fazer quando eu falo para ele: "Olha, eu quero que você pegue tudo, inclusive as áreas não alocadas, eu faço um carving, ele pega tudo que você apagou, tudo que puder." Por isso é uma ferramenta especialista, uma ferramenta forística. Ela tem essa finalidade, porque na adentro de você apagar, às vezes você não sobrescreveu, não deu tempo. Pensa lá nos HDs antigos lá, setores não alocados, ele pega tudo.
É, para quem para quem não sabe, a exclusão ela não é física, né? Ela geralmente é lógica e aquele setor fica marcado como deletado, mas ele pode ser acessado sim se você tiver a ferramenta correta, né?
Isso. Eu jogo lá um [roncando] e é aí é que tá. Aí vamos pro segundo ponto.
Depois que eu fiz a a extração forense, a imagem forense, ele me gera um arquivo grande ou o mesmo fragmentado, mas é a mesma ideia, tá? Gera os restes, tudo bonitinho. Aí eu vou para uma segunda etapa que é uma indexação forense. Eu pego aquela aquela imagem, aquele arquivo, tá? Tipo lá, celular vorco, extensão lá.
Uhum. E aí eu jogo isso, o próprio Celebrite já tem essa ferramenta, mas vamos supor que eu queira ir lá. Por exemplo, eu posso usar a própria ferramenta da Polícia Federal, que é o iPad.
IPAD chama indexador de evidências e eh e digitais, né? Então exatamente esse nome é gratuito, tá no GitHub, tá? Você pode baixar. É Open So feito pelo pelo Tive eu tive a honra de conhecê-lo lá em Brasília, né? Pelo Luiz Nacif, né?
Então, um cara conhece muito de TI, fez isso e abriu código aberto e a gente usa bastante.
Vamos deixar o link aqui na descrição, quem tiver curiosidade de conhecer, chamar iPad, né? Ipad. Eh, ou você pode ir para uma ferramenta paga, por exemplo, uma outra ferramenta que eu uso lá no nosso laboratório é o Magnete, né, da da Action. E que que eu faço? Esse esse essa ferramenta, ela vai demorar um certo tempo, às vezes demora mais de um dia a depender do tamanho, e ela vai processar. tudo. Então eu dou alguns parâmetros para ela. Olha, processa buscando no des infantil, processa buscando arquivos apagados, processa buscando indícios de fraude. Eu principalmente elas já hoje elas já têm modelos de ou agentes de a embutidos, então que ela vai me trazer já depois o que eu quero. E aí depois eu começo a terceira etapa. Então, coleta, preservação, indexação por alguma ferramenta paga ou essa pública, né? Pública não, né? Open search, né? Pública não. E aí você trabalha com a análise. Aí é que entra a inteligência do perito. Essas duas primeiras etapas qualquer técnico faz. Não há desliga o protocolo. É apertação. Foi aplicação.
Aplicação de ferramenta, né? É, é apertação, é apertação de botão. Não, por favor, hein, gente. É apertar botão.
É, tá, tá. Next, next. Beleza, acabou. A inteligência tá aqui. Quando eu pegar o celular do Vorcaro, já que você deu exemplo, né, tá na mídia, que que eu quero buscar ali? Relações dele com quem? Conversas dele com quem? Recibos de pagamento, eu tenho uma vasta gama de dados. E aí eu preciso saber o que buscar.
[roncando] Quando você pega um caso muito típico, vou dar um exemplo, como eu falei de porn infantil, então você pega lá o celular de um cara que ele tá sendo acusado de de vulnerável, né? Cuidado, não é crime, né? É que a gente sempre estuda direito e fala o ped não é uma sídia, é uma doença.
Mas a gente fala pedofilia. Então quando ele pega lá a questão do vulnerável, eu já sei o que eu quero buscar. Eu quero buscar imagens de nudez. Eu quero buscar ele trazendo isso em alguma dark web, numa deep web, algum torrent da vida, né? Eu já tô direcionado. Eu não tô preocupado se o cara pagou o aluguel dele ou não. Eu não tô preocupado se o carro dele é álcool, a gasolina. A gente não tá buscando isso. Então, coisas que eu descarto, a própria ferramenta me ajuda e ela me dá elementos. Isso aí eu vou fazendo a quarta etapa que é a construção do meu trabalho pericial que se consubstancia num laudo pericial. O nome do relatório é laudo pericial. Eu vou construindo. Olha aqui, achei a imagem. Aqui ele tá aliciando numa conversa uma menina de alcunha Maria com 12 anos aí, sei lá. Eu vou mostrando, tá? Tá, tá. Aquele tá prometendo para ela, tá pedindo para ela levantar a blusa e ele vai n na n. que ele tá ameaçando. Então a gente tem que saber o que quer o o problema é quando você me dá um celular do Vorcaro e eu não sei o que procurar. Que que você quer que eu procure? Ah, eu quero que você procure. E isso é uma coisa ruim, porque às vezes vem pra gente: "Procure algo errado, eu devolvo, defina algo errado." O sistema operacional tá desatualizado.
É, eu falo o Android dele é outro, né? O Apple dele é outro, né? Olha aqui, a foto dele em Paris jantando tá borrada.
Brega demais essa foto de Paris. Então eu não agora não, eu quero que você busque o seguinte. Nós sabemos que ele viajou para Paris e ele teve uma reunião e lá vamos ver se tem fotos dessa reunião. Opa, eu direciono.
Entendi. Mas geralmente ele vem atrelado a um processo judicial que tem um objeto, né?
Sim.
E aí esse objeto vai ser usado nessa busca de de do do perito ali para encontrar evidências que dê suporte, né, para para esse objeto.
Sim. Sim. é que tem caso, então que o juiz ele não faz esse tipo de pergunta aí dificulta o meu trabalho. Por quê?
Por um simples motivo. No próprio código de processo tá dizendo que eu não posso extrapolar o objeto da perícia. Então se imagina se eu não sei o que você quer e eu vou criticar que o vinho que ele tomou é de R$ 12.000. Mas, ó, pegar um caso eh concreto, o que acontece, por exemplo, o cidadão, ele tá sendo eh investigado, por exemplo, por, sei lá, evasão de divisas, hum, suborno.
E aí ele vai lá e tem o celular apreendido e você vai direcionar sua busca para ver comprovante de pagamento, ver se ele teve transferência bancária, etc. Aí você abre o celular desse cara e você vê foto de criança.
Boa, boa sua pergunta. Essa, essa pergunta é o que, o que que o perito faz?
Essa pergunta você merece os parabéns. É essa aí. Então, boa. Eh, isso já me aconteceu pelo menos três vezes no meu trabalho. Você vai buscar uma coisa e encontra uma outra coisa que você sabe que é crime. Você sabe que é uma coisa você achar que tá errado. Uhum. Sei lá, ele ele n Isso aqui não não sei não. E e posso, deixa eu abrir um parênteses aqui, gente. Eh, eu sempre dou isso nas aulas, né? Como eu dou aula do curso de perícia, eu vou voltar na tua resposta.
Eu costumo dizer o seguinte, eu eu brinco com os alunos, eu mostro vários casos e e falo para ele, você sabe a diferença da opinião de quem é perito para quem não é perito?
Aí começa a falar: "Não, perito isso, perito aquilo". Eu falei: "Não, o perito não dá opinião, nós não somos nomeados para opinar. A gente tem que trazer graus de convicção, né, muito fortes.
Então, voltando, quando eu olho para uma coisa, eu tenho um grau de convicção de que aquilo é um crime, a crime, eu coleto aquilo, tá? Porque depois eu não sei se eu vou ter outra oportunidade, né? Eu coleto aquilo, registro bonitinho. Lembra?
sempre cadeia de custódia, sempre preservando, sempre e tudo, né? É trabalhoso e é trabalhoso. Por isso que às vezes eu falo pro cara de você quer fazer perícia, é mais trabalhoso, né? Não é dois, três comandinhos seja, não é escrever. Você gosta de ler? Você gosta de escrever? Então, então vamos lá. Então, você tem que fazer toda a rotolagem, toda a identificação, toda a fundamentação. E aí o que que eu faço?
Eh, eu guardo aquele material e faço uma petição nos autos pro juiz. Fala: "O juiz, olha, eh, analisando o artefato X, encontrei eh elementos que eu vou chamar de vestígio, porque é o que o próprio Código de Processo Penal fala. A gente tem uma diferença entre indício, vestígio, indício e evidência, né? Eh, eh, e prova, né? Então fala, existe aqui tal, eu gostaria eh eh de mandar, né, para vossa queria saber, o senhor autoriza? Eu faço essa pergunta, a gente sempre dá satisfação pro juiz e pede satisfação ao juiz, né? Eh, então aí ele fala: "OK, pode apresentar. Pronto, o juiz tem as costas largas, então não corro o risco, né, eh, depois tomar uma algum tipo de invertido até um processo, porque eh posso abalar a moral da pessoa, não.
Você foi fazer A e você achou B, né? Por exemplo, tem muito caso, o caminho correto é notificar o juiz.
Não existe processualmente isso. Se você olhar tanto CPP quanto CPC, não tá falando para você falar dessa forma, né?
Mas eu vou pelo pela questão que eu entendo. Semar, olha, juiz, o senhor me pediu para fazer isso. Eh, então, uma vez eu fiz uma perícia, era a questão de desvio de valores, né, dentro de um grande clube de futebol aqui de São Paulo. E eu descobri uma outra coisa, né? Eu lembro que o advogado tava lá. O senhor não pode olhar isso? Falei: "Doutor, pode, eu posso, né? Não, porque eu já tinha peg Não, o senhor tem que não, senhor tem que tirar isso daí, senhor não pode falar". Eu eu fiz a mesma coisa, o peticionei e o juiz autorizou, mostra o que que você tem, né? Pronto, acabou.
Mas aí isso entra dentro do mesmo processo ou o juiz oferece uma outra denúncia do Ministério Público?
Não, é aí se for, se for crime, né? Se você tá pensando em crime, o juiz oficia o Ministério Público, porque o Ministério Público é que tem que fazer o procedimento mais investigativo.
Isso pode dar origem a um outro processo.
Sim. Aí é um outro processo apartado, né? Você pode responder criminalmente por um de um lado e e civilmente para um outro, por exemplo, né? Então o juiz ele ele ele vai me dizer eh eu e aí ele pode ele pode colocar aquilo aquele pedaço em segredo. Só ele olha. Entendi.
Ele pode não. Então fala: "Olha, eu vou mandar, conta só para mim aqui que é isso. Isso aí, né?" Pronto. Aí o entendimento dele que ele estudou com certeza muito mais direito, né? Ele passa a saber se aquilo é ou não crime, porque às vezes pode ser: "Não, Ricardo, você viajou, isso aí não é nada".
Entendeu? E e a gente tem que tomar muito cuidado com relações. Por exemplo, vou dar um exemplo da infantil.
É ruim, é uma tristeza, existe, não sou a favor, não, não tô aqui. Mas a gente também tem que tomar um certo cuidado de E aí, como perito, tá, por favor, não. E como perito você tá lá de você não simplesmente eh achar que toda a foto que tá ali, por exemplo, dá um uma questão muito muito real. Eh, teve um cenário lá que a gente pegou, então você tinha fotos de uma menina, dá para perceber que é uma moça, né? E e que tele Mas eu eu até escrevi, olha, a a as moças hoje, né? Você pega talvez uma moça de 16, 17 anos, que ela aparenta de 25, como é que você vai saber? Não estou defendendo, por favor, mas eu não posso simplesmente olhar a foto. Eu não dou essa visão lá, eu falo porque senão é um julgamento seu, né?
Isso sim. Eu eu falar, tenho aqui uma foto.
Pronto. Se ela porque é as partes pergun a idade da aproximada da menina, não sei.
Aí é um outro perito de biologia, sei lá, quem vai ter que definir?
Teve teve uma que eu tenho que te contar, porque essa ela para mim foi o meu ápice, né? Eu não lembro exatamente o que eu escrevi já faz muito tempo. Eu tô há 24 anos nessa nessa vida. Era a questão de uma relação sexual, né, entre um casal, casal homem e mulher, né? E uma das perguntas era se a mulher tava gostando.
Oi, poxa vida, né? [risadas] Desculpa, meritíssimo. Não estava no dia, não é? Eu não pde sa. É, é, é possível.
É uma pergunta assim, eh, é possível o, senor perito afirmar, eh, era alguma vai resumindo aqui, eh, ela, a pessoa tava gostando porque a questão era, eles eram casados, né? Eh, eh, se tinha ou não o tal do do sexo sem o consentimento, o sexo forçado, etc., né? Eh, então a pergunta versava em torno disso, mas ele ele te questionou em relação a isso como perito de informática questão porque o eu eu imagino que o correto seria ali. Existe um vídeo sobre isso.
Eh, existe sim. A pessoa para responder comportar mentalmente, se ela não sei se existe um perito de psicologia, de comportamento humano.
Eu devolvi isso.
Deveria, deveria passar para essa pessoa dar um parecer de, olha, aparentemente a pessoa tem expressões negativas, et não é o cara que tá olhando o log do arquivo que vai responder isso, né? Tá.
[roncando] Então, mas a o o trabalho era você extrair a imagem, preservar a imagem, analisar a imagem, ver se a imagem não teve edição, se não teve corte. Era até aí. E aí, mas só que você tem o roll de perguntas. Uhum.
Lembra os quesitos que eu te falei? E nesses quesitos ele botou junto uma dessas.
É, eu não sei, eu tenho quase certeza que não não não lembro quem foi. Eu tô te falando faz, poxa vida, aí deve ter uns 18 anos, né? Mas era uma uma pergunta como essa, né? a dá para verificar expressões que a pessoa gostou, etc. Coisas assim. Era algo assim que eu até duvidaria, não só da área do comportamento, né? Que pode ser que naquele dia ela tava com uma baita dor de dente, sim.
Entendeu? Ou uma dor no joelho e ela tem artrose e lá tava naquela posição, né?
etc. Eh, eh, para você até dar essa resposta como um perito comportamental, você precisaria saber de outros elementos, tipo fazer uma anamnese com a pessoa. No dia você estava bem, no dia, dana, você, nesse dia você tinha ganho na lota ou tinha sido demitida do seu trabalho.
Então, porque tudo isso influencia no no que eu vou dizer. Então, a expressão facial apenas mesmo um especialista em expressão facial, por favor, né? Quem é especialista, por favor, não tô invadindo a sua área. Eu entendo que ele teria que pegar outros subsídios, outros insumos para melhor laudar, senão ele corre o risco de, e aí que eu sou contra, porque apenas com uma expressão facial você pode condenar uma pessoa.
Aí a opinião não é perícia, né?
É. E e é e é muito frágil, entendeu? Eu, lógico, eu não dei não dei a resposta, eu fui falei, não tenho capacidade, eu falei algo assim, não, não tenho conhecimento, não saberia dizer, etc. Não tem como fazer isso aí, entendeu? Então, agora, por exemplo, tem situações em que a ainda falando nesse caso, eh eh quando você roda lá nesses softwares, se a pessoa tá com um biquíni muito, uma mulher tá pensando um homem, tá? Você tá com um biquíni muito curto, muito pequeno, né? Aá dá 99% de de nudez. O aá quando eu digo os softwares que analisam fal tem. Só que eu não posso falar que com 95 você vai na praia e tira uma foto de com alguém também é 99% de nudez. Você vai numa piscina pública, a pessoa também.
É, aí entra o feeling o discernimento do perito, né?
É aí que você chegou. Por isso que eu não posso simplesmente analisar eh apenas e tão somente naquele pedacinho.
Se eu não entender o contexto, eu corro o risco de dizer: "Sim, a pessoa estava nua". Mas em que contexto ela estava nua? Veja bem, eh se eu chegar numa numa aula, numa sala de aula e falar assim, né? Eh, tem uma lei aqui numa praia aqui, eh, é proibido biquíni.
Que que você tá entendendo?
Depende. Se você não for lá entender, é proibido biquíni porque é uma praia de nudismo, então ninguém pode usar biquíni. Ou o biquíni é muito austério. É, você tá numa praia muçulmana de senhoras, né? E biquíni não pode.
Não pode. Se não pode biquíni, não pode nud.
Isso. Exato. Então eu preciso, Wellington entender porque senão eu corro o risco de dar uma resposta. Aí que eu falei, o advogado recorta minha resposta e fala: "Tá vendo? O senhor perito falou que é proibido biquíni. Eu só tô lendo, constatando um fato. Tá lá dizendo proibido biquíni. Agora em que outro? Não investiguei, não analisei.
Uhum. [roncando] Eu não fui adiante, né? Então quando a gente não vai adiante, por não deu, não tem essa informação, não me deixaram passar à frente, não me deram essa informação, eu me limito naquele ponto, né? eu me limito naquele ponto. O o o tem um tem um exemplo que é muito interessante quando a gente fala de, por exemplo, de ata notarial, né? Eh, então a empresa apresentou uma ata notarial com uma com uma cópia lá do print do celular. Print de celular, o que mais tem. Eu falo assim, isso não é nem minha, né, de um colega meu aqui da da área, eh, então, se eu levar o tabelião num show de mágica, ele vai colocar na ata que a mulher foi cerrada ao meio, depois ela foi colada e um coelho saiu de uma cartola. ele vai relatar o que ele viu. Nós sabemos que a mulher não foi colada ao meio, nem foi cerrada antes. Então, tudo isso faz parte de um, eu preciso entender, eu preciso dar esse salto, né, e entender esse contexto. Só que às vezes a perícia não tem acesso a esse contexto. Eu não tenho, não tenho.
Só chegou, só chegou o print de tela aqui para mim.
Ah, então eu tenho que fazer isso.
Aquilo, eu fiz uma vez o jurri. Júria é homicídio tentado ou consumado. E eu levantei, tá mostrando ali pros jurados, né? Falei: "Olha, esses prints aqui era um caso de homicídio e o o réu tava sendo acusado de induzir a vítima para um local para ele ser executado.
Eh, inclusive era um outro advogado." Falou: "Olha, tá aqui os prints, né? Tá aqui, ó, vamos jantar tal hora, tal hora". Mas eu não sei o que aconteceu antes desses prints. Por quê? Nesse exemplo, só para você ter uma ideia, o quando houve lá a fatalidade, né, do do assassinato, que é muito triste, tá? Ah, a polícia chegou para isolar a área, polícia primeiro chega para isolar a área e o próprio policial militar pegou o celular do morto, pegou o doido dele e desabilitou o celular e começou a mexer.
Aí, então agora veja bem, eu não acredito que o policial tenha feito isso de má fé, de jeito nenhum. provavelmente tentando deixa eu ver, deixa eu ver se eu acha alguém, alguma coisa, para quem que eu vou avisar, quem é esse cara, alguma coisa assim, né? Algo assim. Eh, mas naquele momento ele não seguiu um procedimento e para acusar alguém, eu não sei se ele criou uma conversa. Eu não não sei. Tô tô querendo, por favor, aqui não tô Abre-se uma porta, né? E não pode, porque é assim, se você é de segurança da informação, se você é de arquitetura, se você é de infra, eh, se você de logística para não ficar só atrelado à computação, tem procedimentos, por que não seguir os procedimentos corretos se já que eles existem?
[roncando] Eh, um piloto de avião, ele é muito bem treinado nisso e ele sabe, tem procedimento para tudo. Ele não pode pular um cheque.
Eu costumo dizer, professor, que esse procedimento serve justamente para evitar o brilhantismo em momento que não deveria, né?
Então, por exemplo, quando a gente tem procedimento para atender um incidente de segurança ou um incidente de disponibilidade, etc., Cara, não tente ser o gênio que vai tentar descobrir o que tá acontecendo naquela aquilo ou naquela hora. Siga o protocolo, [roncando] justamente porque você pode errar e piorar o incidente, né?
Então, fazendo um paralelo com o exemplo que você deu do do do policial, sim.
Às vezes agindo de uma forma, tentando ajudar, você acaba piorando um pouco a situação, né? E é por isso que existem os protocolos, porque você pode ser um gênio e ter um insquela hora e resolver uma questão que deveria demoraria muito mais tempo. Pode acontecer, mas a possibilidade disso acontecer é muito menor do que em todas as outras vezes onde o protocolo vai ser a melhor opção, certo?
Sim. É, é que é que lógico, você não pode, entendo eu, vamos pensar em segurança da informação ou um time de resposta incidentes, você não consegue prever todas as variáveis, mas você tem que tá bem atrelado àquilo que você conseguiu mapear. Por isso, uma boa análise de risco antes, ela é fundamental para que você saiba o que fazer em determinadas situações, que protocolo que eu vou ativar, protocolo 1, 2, 3. O problema é quando você não sabe o que fazer, né?
Sim. É. E e é esse exemplo mesmo que que causa o problema da do da da decisão emocionada, digamos assim, né? Posso dar dois exemplos muito clássicos da operação de TI. Quando você tem eh indisponibilidade para alteração de software, sempre vai ter aquele cara que vai falar: "Não, mas pera aí, acho que eu sei o que é". E vai e mantém a indisponibilidade, porque ele vai lá que tenta fazer um novo deploy, tenta e isso vai se arrastando. Em vez de seguir o protocolo, quer fazer um fall, né?
E em segurança também é muito comum de, "Ah, mas vamos, ó, teve um perímetro, parece que tá comprometido." Parece que está comprometido, cara. protocolo, desliga as VPNs, eh, cancela conexão entre os sítios. Ah, não, mas eu acho que eu sei o que é, cara. Você já tá colocando o risco de não seguir o protocolo, né? Então, protocolos, gente, sigam os protocolos, são legais.
Mas então eu vou te dar um número. Vou te dar um número, já que você é [roncando] hoje, você tá na na na parte estratégica da empresa, né? Eh, posso dizer para você, sem erro, eh, eh, não tenho agora o número exato de de mas é mais de 90%.
Quando a gente pega problema para analisar dessegurança da informação, dessegurança da informação é que não existem. [roncando] Primeiro, antes, antes era maior esse número, existia um platô, agora tá mudando.
Antes aquela empresa não tinha um, vamos, você chamou de protocolo, vamos seguir com o nome protocolo. Não tinha um protocolo, então a pessoa ficava perdida, faz qualquer coisa. Vamos agora mudar isso para esse nome, para procedimento.
Hoje eh a 95% dos problemas de segurança da informação que eu atuo, quando você vai fazer uma análise pericial, porque aí você quer descobrir em quem vai acusar, eu tenho um seguro cybernético, eu preciso saber que que aconteceu a seguradora vai pagar. Eu percebo que não é um problema de tecnologia, é um problema humano no, né, [roncando] mas por falta de seguimento de um processo.
Por que que ela não seguiu? porque ela não tava treinada, porque ela é um processo anacrônico, porque o procedimento já não refletia a realidade da empresa, porque você tem vários os porquês. Ou porque ela também usou uma fé, ela criou um desvio, né, condicional, um e criou e criou uma situação. Nós fizemos uma busca e apreensão na casa de um funcionário de um grande banco privado aqui do Brasil e o que que ele tinha feito? ele ia mudar para um outro banco. Na quinta-feira ele mandou um e-mail com algumas planilhas para ele mandou uma não por e-mail, uma informação com algumas planilhas que segundo o banco DLP acusou para a namorada dele. Então namorada dele lá 6 horas da manhã, polícia, dois oficiais de justiça, faz tudo aquilo lá. Bom, resumindo, eh, no computador dele, eh, eu falei: "Fulano, como é que você fez isso?" E ele não era de TI, ele não manjava nada de TI. Tanto a senha dele era tipo assim 1 2 3 4. Ele era um cara de análise de crédito imobiliário, tipo era economista, analista financeiro.
Analista financeiro. Conhecia bem essa parte. E o que que ele fez?
Eu não sabia.
O assistente técnico do banco que teve autorização de acompanhar a diligência não sabia e é um cara letrado que eu conheço.
Outras pessoas que estavam, bom, o oficial de justiça também, né? Ah, ah, eu falei: "Como é que você fez isso?" Aí vou contar agora o remédio, né? Ou vou contar o santo ali. Ele falou: "Não, mas eu fiz como todo mundo faz lá no banco X." Falei: "Como é que todo mundo faz?" Ele abriu o LinkedIn.
O LinkedIn era a única mídia que era permitido ter acesso, né? O outro todo estava em blacklist lá, não era permitido.
Então não podia e-mail, não podia expectar pen drive, HD externo, n nada disso. Com anexo ia ser bloqueado.
E e no LinkedIn e eu descobri nesse dia, quando eu abro um chat com você, eu posso anexar um documento. Tem um clipezinho do anexo. E eles mandavam assim: "O que que me espantou? que ele falou aquilo com uma naturalidade. Mas por que que isso é um problema?
Todo mundo faz isso.
Mas ele provou a diferença. Wellington ele viu não, mas todo mundo faz isso. Aí ele abriu, tinha umas oito, oito, nove conversas entre os diretores e ele, diretores acima dele, hierarquicamente acima dele, fazendo isso, ó, toca aquele arquivo aqui, analisa aquele arquivo, me devolve aquele arquivo.
Ah, [ __ ] aí fodeu, né? Porque se dentro da empresa era cultura de utilizar como um porque uma coisa eu te falar, olha, todo mundo faz isso porque tá todo mundo sabendo que tá errado, tá todo mundo jogando informação pra família, etc.
Agora, se você me fala que é um protocolo usado pela empresa como uma comunicação oficial entre os superiores, isso aí, aí fica difícil, né? Então, mas o cara aí, aí esse banco veio se defender que existia um protocolo que era proibido, mas o juiz falou: "Pera aí, vocês têm um protocolo", mas os diretores não seguem não. Os chefes dele, porque era a sorte dele eram que hierarquicamente eram superiores a ele, [roncando] entendeu? Cobrando ele. Ô, fulano, me dá isso aqui, fulano, então me dá isso aqui. Eh, e ele ganhou a causa e ele, o banco entrou, queria, né, né? E ele conseguiu com base nesse laudo, né, que o banco mandou a gente ir lá e o banco deu errado para eles. Além do que, só para você ter uma ideia, eles estavam muito mal assessorados porque os dados da planilha que ele mandava eram dados públicos que eu consultei. Era uma fonte do IBGE.
Ele só fez o esqueleto.
É, é como se fizesse um BI, mas os dados é de qualquer lugar. Então ele o e o banco chorou, chorou, bateu, recorreu e não porque o procedimento que existia não foi seguido. Talvez ele não soubesse, mas ou ele soubesse, mas como ele recebe do Imagina você recebendo uma planilha do seu hierárquico superior e fal: "Ó, escuta aqui, chefe, o sonho está fazendo errado?" Não, não faz melhor sentido.
Você louco, você vai bater de frente com o chefe?
Não, não faz menor sentido.
Entendeu? Então, a a dizer vai, 95% dos problemas são causados por falhas de procedimentos internos da empresa, ou porque ela tem o procedimento e as pessoas não seguem, ou porque não tem o procedimento, o procedimento tá desatualizado. E aí a gente costuma falar uma coisa assim, né?
Eu aprendi isso num evento, eu achei muito legal. eh eh esses procedimentos ou processos ou políticas, as nossas diretrizes, né, eh eh ou programa de compliance fica como um PDF bonitinho lá na pastinha lá do compli para quando alguém vier, pô, você tem complif, nossa, que lindo compli segue o complice, não quer demais, né, professor, posso te dizer que depois de quase 15 anos aí de mundo corporativo, toda empresa e quanto maior. Isso é mais verdade.
São duas empresas, uma que ela quer parecer ser, né, que é o documento do compliance, é o comercial da televisão, é o manual do colaborador, é o [roncando] portal do RH e outra empresa é a operação como ela como a vida acontece.
Isso é a máxima que a gente tem no mundo corporativo, porque a cultura da empresa ela sempre prevalece, né? E se você não consegue estrategicamente fazer a cultura estar atelada aos seus guidances, o a vida acontece sozinha, né? Não adianta você falar que ter ferramenta da RP, firewor para bloquear o pil, etc. se na cultura da empresa o diretor pede pro funcionário mandar documento pelo LinkedIn e isso prevalece, né? Então, eh, e isso é é extremamente real, né? Porque a empresa ela cria uma imagem dela mesma, que é a imagem que ela quer projetar pro mercado e ela tem a vida como acontece ali, né? E e isso fica muito evidente em processos trabalhistas, etc., como esse do banco que você colocou aqui também, né? É uma coisa pra gente refletir, né?
É, e esse caso foi um caso trabalhista onde o banco foi o autor, [roncando] né?
Que o banco é o reclamante.
Hum.
Né? Nesse caso é um caso trabalhista.
Então esse Então o país deve ter se mandado embora pro Jac. Não, ele ele não, ele ele ele foi por uma oportunidade melhor, pediu as contas. Ah, entendi.
E ele mandou essa planilha, duas ou três planilhas que tinham esse conteúdo para ele já tinha se demitido e aí ele mandou de Não, ele tipo assim é que o DP ele ele não evitou, não evita, né? Ele ele simplesmente, ó, tem um alarme aí, aconteceu aquilo e depois só não vê aí que aí correram atrás porque ele foi para um outro banco, acharam que ele ia levar essa informação pro outro banco.
E na verdade para mim isso foi tão tão amador aqui, lógico falando aqui, não identifiquei nem quem é, porque o o que que ele deveria ter sido assessorado, lembra a produção antecipada de prova?
Que que ele deveria ter sido assessorado? É o seguinte, ó. O DLP pegou que ele levou esses dados.
O procedimento dele, ele fez pelo LinkedIn e todos os nossos diretores usam. O perito vai ver isso e vai botar no laudo.
Uhum.
Aí você vai dizer: "Ih, essa balança tá pendendo errado".
Porque o DLP, como acusou dele, deveria ter acusado também dos diretores.
Então, e alguém não teve culhão de falar: "Ó, o diretor tal tá mandando arquivo pelo LinkedIn." Não, a coisa, mas mas é que deve ser aí que é um problema de você ter e é um problema trabalhista. E aí eu não, eu concordo. Você não pode ter preleção.
Ah, você vou ficar esse teu vou ficar assim ficar de olho.
Não pode, né? Na verdade não é que você assim eh por que que aconteceu isso, né? Alguma coisa você tem de suspeita, que fundamentação eu tenho, né? Então, ó, tô tô achando que o cara tá fazendo alguma coisa errada, eu posso monitorar ele, mas no caso, como ó, o cara saiu, pediu demissão lá e teve isso aqui, opa, ele tá levando. Só que o problema maior para mim não foi nem do LinkedIn, o problema maior foi você ter acesso ao conteúdo da planilha e ninguém ter feito uma análise e falado assim: "Olha, assim, o desenho da planilha, ele fez aqui dentro. É uma [ __ ] planilha com um monte de link per link, clica aqui. A inteligência da planilha ele fez lá dentro, mas os dados em si, os dados eram públ Eu inclusive, só por coincidência, lá embaixo ele colocou as fontes dos dados e quando eu fui buscar as fontes dados, fontes do IBGE, dados públicos. Então não é nem relevante pro banco.
Eu não sei.
Aí aí aí mais uma vez é um é um problema que a estratégia da empresa foi falha em não conseguir olhar qual era a qualidade do material. Eles já sabiam a autoria, já sabiam a dinâmica. Lembra lá da materialidade? A materialidade era muito ruim.
Entendi.
Entendeu? A materialidade eh e do que ele fez, a dinâmica também, né? Se eles soubessem que a dinâmica ia pegar.
Falou: "Opa, pera aí, o cara tá fazendo o cara ele ele ele bypassou algum controle de segurança?" Não, ele quebrou alguma? Não, ele ele invadiu? Não, ele não. Não, não, não.
Que que ele usou? Ele usou uma possibilidade que você deixou, né? Ele usou. E por que que ele usou? Porque outros já usavam.
Então, o eu lembro que na sentença, isso tem uns 2, tr anos, o juiz usou isso, falou: "Poxa, pera aí, né? todo mundo aí use, por que que aqui dentro ele não pode usar? Que tipo de discriminação vocês têm com ele, né? E aí é isso, isso isso leva um outro problema que a gente tem no mundo corporativo, que é procedimentos que são realizados também, sem o mínimo de filtro, de eh de analisar a materialidade da coisa, sabe? Provavelmente caiu no DLP, ninguém parou para olhar, olhou, ah, lembra aquele cara que tá indo? Foi, caiu no jurídico, continuou, continuou e ninguém parou para ver.
[roncando] Empresa grande tem disso. E aí vai e aí às vezes tem um escritório que é terceirizado, quanto mais processo, melhor. E a coisa vai andando, as coisas simplesmente acontecem, né? E aí quando chega no resultado final, quando alguém fala: "Porra, não precisava ter feito tudo isso, né?" Não, é porque você dá um tiro no pé, né?
Porque você [limpando a garganta] tá entrando com um com uma ação, né, e você tem custas, né?
E quando eu sou nomeado lá, nesse caso, a gente já pede um honorário, bom, né?
Então ele fala: "Não, porque ele acha que vai ter direito tal". Pera aí. E outra, eu eu não tô torcendo para nem A nem B ganhar. Eu vou mostrar pro Georgista. Tinha isso, assim, assim, asado. Ó, o documento era esse e eu, por, por exemplo, essa questão de analisar a fonte do documento foi uma iniciativa minha.
Eu eu me senti eh na obrigação moral de levar essa informação pro juiz.
Fala, juiz, ó, tem um detalhe, tá?
Inclusive aqui a informação tirada aqui é dessa fonte, mostrei as fontes, etc, etc, etc.
precisava ter feito isso. Não, mas eu me senti num dever, né? Eh, aquilo achou relevante pro caso, né?
É por eu tô participando, eu não sou parte, não sou parte, autor, não sou parte, mas eu tenho que participar da boa fé. E eu não não inventei nada.
Falei: "Ó, seu juiz, como você talvez não vá ver isso, eu eu tô te trazendo uma situação, ó, esses dados são públicos assim, assim, assado, professor tem mais essa informação. Ninguém me questionou isso, mas eu me senti no meu numa num dever cívico até de falar: "Olha, tem essa opção aqui, já que eu posso aqui colocar, ah, não interessa isso." Então, o que que o juiz só ignora?
Ah, então, ah, beleza. Isso aqui não me interessa. Pula isso aqui e ignora, entendeu, professor? te fazer essa pergunta antes de eu partir pra segunda parte e final.
Eh, quer saber um pouco mais da sua trajetória?
A gente falou de DLP, falou de vazamento de dados, falou sobre perícia, sobre LGBT, etc. E eu vejo um grande buraco negro quando a gente fala sobre isso.
Inclusive foi tema da sua palestra no TDC quando nos conhecemos, que é a inteligência artificial.
A área de exposição que a gente tem agora com a inteligência artificial para vazamento de dados, etc., aumentou, né, drasticamente, porque se antes o cara precisava entrar no LinkedIn para anexar um arquivo, hoje se ele precisa resumir uma planilha, ele precisa fazer nisso.
Fazer isso. Ele pega o chatt que ele tem no celular, tirado da empresa vai ser eh usado para treinamento depois para novos modelos, etc. Como que o mundo da perícia tá vindo isso? Olha, isso é um é uma técnica de hag, né, Rive augmented generation, né, em que eu treino o modelo através de um dado, né, eh, vamos pensar em um arquivo, você deu o exemplo de uma planilha, o que que acaba acontecendo? Eh, hoje nós estamos, tem uma coisa que é interessante, a tecnologia avança, o, a sociedade avança. Hoje, dificilmente você vai encontrar alguém que não tenha um celular, né?
Inclusive, isso é uma coisa que a gente fala recorrentemente aqui, professor, que a a IA generativa, como a gente conhece hoje, ela criou um problema de governança dentro das empresas porque ela pulou algumas etapas, né?
Eh, como um cientista que você também é, sabe que a gente tinha uma cadeia convencional, né? A gente tinha um ambiente acadêmico onde as tecnologias nasciam, né? Depois isso passava para ambiente corporativo com uso através de de lucro, etc. Depois isso entrava na vida das pessoas, né? A Iá pulou tudo isso, pulou, pulou tudo isso. Todo mundo tem o chat EPT, o Gemini no celular, as empresas não estão preparadas, tá? é um caos, não tem. Então a a tecnologia avança, a sociedade avança, como você falou, e no caso da IA demos esse salto e não tem regulamentação.
Uma tem um projeto de lei chamado 2338 que ainda tá lá, não é talvez prioridade e não vai resolver tudo, mas ah, tem o act, né, que é o europeu, tem é melhor que nada, com certeza, com certeza. Mas vamos pegar esse seu exemplo e a minha política de governança dentro da minha empresa, como é que ela tá lidando com isso? Então eu eu eu tenho eu corro esse risco, né? Eu lógico, não vai ser um mundo perfeito.
Eu pego lá o tema lá da minha palestra foi pegar um contrato, que foi exatamente o cenário que nós vimos, né?
um contrato que tinham informações classificadas, TLPs lá como crítica e confidenciais. E o funcionário, na boa intenção, né? Eh, Renê Decart falava que, né, as questões das boas intenções, eu já falo que a estrada pro inferno tá pavimentada de boas intenções, né? Então, a na boa intenção ele falou: "Olha, surgira melhorias, etc., né? analisa esse contrato. Bom, mas quando ele mandou, ele não fez um processo de pseudonimização, que poderia ser a tecnologia já me ajuda nisso. Já que eu entendo que a minha empresa prefere rodar um modelo externo, rodar um modelo interno, por exemplo, que não tem poder computacional, né? Por exemplo, eu rodo o modelo interno, eu tenho duas placas GPUs lá.
Uhum.
Eu tenho lá um Oamazinho rodando lá. E aí quando eu quero fazer outras coisas, eu rodo meu modelo externo. Mas corporativamente falando, eh não adianta eu chegar em te proibir, né? Então o que que acontece? Esse tipo de atitude, né, que foi tecnicamente permissível, fez com que você fizesse um treinamento da IA com dados em que você deveria manter dentro do perímetro de autenticação da empresa. E aí alguém filtrou isso. Esse vai fazer o quê? Como é que você desaprende aí? Você tem que apagar todo o modelo. Só que se você não tem gerência sobre o modelo, como é que você faz? Um retreinamento é muito custoso, né? Ah, mas eu teve lá um flagzinho, chattzinho que eu não vou treinar, tal, tal, tal.
Eh, eh, precisa ver em que versão você tá usando isso e se você fez isso.
Então, não, e se você tiver no plano corporativo, talvez você tenha algumas salvaguardas contratuais, etc., que o dado não vai ser utilizado, mas se você tiver, por exemplo, usando o teu plano particular free, porque existe aquela máxima, né, professor? Se você não paga para um produto, produto é você, né? Então aquele dado vai ser utilizado, né? E e eu acho que o maior risco é aí, porque muitas empresas não usam os planos corporativos, que existem as restrições de dos tenants separados por dados, etc., para que você ofereça pro funcionário. Aí o cara bloqueia tudo.
Gente, a lembra do Jurassic Park? A natureza segue uma um jeito, não é?
O cara tá acostumado a zaiar na vida dele para tudo, ele não vai fazer do jeito artesanal na sua empresa porque você proibiu de utilizar. Ele vai dar um jeito de botar o celular, tirar foto, aquele dado vai sair dali, né?
Sim. E hoje com as leituras dos OCRs avançados lá, você falou, você tira foto, né? Então, eh, qual que é o, como é que a perícia tá enfrentando isso? Vai aumentar isso? Por quê? Isso vai ter um problema cível, não tô falando nem criminal, tá? Penal, vai ter um problema cível e aí vão querer achar caças bruxas, quem fez, por fez, como fez. E aí você vai ter que ter a perícia, análise pericial dizer: "Olha, foi o funcionário X fez por isso." Mas no caso do juiz, nesse caso, talvez o que possa seguir para ele, se existir um procedimento na empresa, ele não seguiu, é uma justa causa. Ah, vou pedir reparação material. Ah, algum tipo, OK. Mas a a pergunta que o juiz vai me fazer é essa.
Jiz fala assim: "Perito, pensa na analogia do LinkedIn lá, como que ele fez?" Aí ele fez desse jeito. Existia alguma trava de segurança técnica que a empresa poderia ter usado? Vamos chamar isso de guard rails, né? Que a empresa poderia ter usado. O juiz não vai usar esse termo. Que a empresa poderia ter usado?
Sim.
Quê? Qual seria um guardo que ele? Olha, você tem que dizer tecnicamente, ó, poderia fazer isso, isso, isso, isso. O juiz fala, é possível verificar com a empresa porque que ela não fez essas proteções, essas medidas conttivas. A empresa vai ter que dizer que não fez. E aí, aí aí é o que ela vai argumentar, é o que vai pesar lá na balança da decisão do juiz. Muito provavelmente hoje a talvez essa todos nós estamos usando de a e e aí essa esse uso de a que leva um dado da empresa para fora, né? É o que nós chamamos de shadow IA, né? A gente pode falar esse nome. O que que a empresa vai fazer? ou ela cria uma política e cria filtros e cria, ó, nós só vamos usar o plano corporativo e bloqueia os outros demais. Mesmo assim, você tem o problema do cara tirar foto, mas aí ele está sabendo que não poderia fazer e fez, né? Uma coisa é bem simples, né? Eh, eh, uma coisa é você saber que não poderia fazer e fez, né? E você não pode alegar torpeza no direito, ah, não sabia e desculpa, né? Não existe isso. Mas dentro de uma política interna da empresa, a política tem que estar formalizada e você tem que me provar que eu fui treinado e que eu estou ciente de que eu não posso fazer aquilo, né? Eu tenho um grau de inteligência mediano, ó. Então não vem com a desculpa que você fez.
Não adianta botar um PDF na gaveta e dizer que é regulamento, se você não contou para ninguém, né?
Sim, sim. E, e quer ver uma das coisas que eu peço muito? Quando a empresa vem dizer que o funcionário não seguiu a política, eu peço a política, a empresa me dá lá a política. Eu olho a data da política.
Interessante.
Deixa eu ver o metadado desse PDF.
Não, não, e [risadas] não acho que nem nem é nem nem Olha, verdade. Tá lá assinado assim, gente. O o o processo do cara é de 2024. Essa política 2026, versão 1.0. E antes disso, ah, não tinha. Ah, tá bom. Vamos supor que tenha. Fal, tá, me diga aqui. Eu olho lá as cláusulas lá, lá as políticas, né? A gente chama lá de itens, né? Ou capítulos, tal. É, né? Ó, beleza. Não podia fazer tal coisa. E aqui tá dizendo que o cara fez. Agora eu quero a segunda coisa. Eu quero saber onde ele recebeu o treinamento que ele não podia fazer aquilo. Eu quero que você me prova. Ah, foi na integração. Tá bom. Me dá uma a lista de presença da integração. Não tenho.
Uá. Não tenho. Então pera aí. Como é que você quer que eu leve pro Porque é o seguinte, a prova é das partes. Eu perito não crio prova. Eu não crio a ata, eu não crio a lista, eu não crio a política, eu não crio, eu não crio, eu não crio. Fala, você quer? Então você tá dizendo que ele devia nãoia fazer efeito. Beleza. Então me prova isso. Ah, eu tenho aqui a política. Tá bom. Então me dá a política. Beleza. 1 a 0 para você. Agora me prova que ele que ele participou do treinamento lá.
Se você não me provar, vou dizer que não. Ah, nós não controlamos. Então, problema teu. Quer dizer, eu não falo assim, tá? Não sou grosso não, gente, né?
Mas mas o o efeito é o mesmo.
Eu falo, tá bom. [risadas] Fala, a empresa não. Em que pés a empresa apresentou a política de segurança X Y Z com data, tal. Eu narro. Eu sou um contador de história. Não, não apresentou não nenhuma formalidade que o fulano tenha recebido tal treinamento formal que estava ciente em não seguir as políticas. Eu falo isso.
Eles vêm espumando.
Por quê? É porque é e é aquela velha máxima, né, professor? Contra fatos. Não há argumentos.
E eu acho que o trabalho do período é muito do perito é muito de narrar os fatos.
Sim. Então não adianta você querer me brigar contra os fatos que você não tem, né?
É o que eu te falei, eu sou um narrador de fatos, né?
Grande storyteller.
É um story teller. Exatamente. Eu sou um big story teller. Uma, né? A gente faz com fundamento, me apresentou a política, tal. Não, tal. Então tem, tem, não tem. E o poder de convicção é em cima de fato. Lembra? A prova pericial é uma prova técnica. É diferente de uma testemunha. Então fal lá, então leva uma testemunha que no dia lá vocês serviram um lanche que ele tava junto lá. Eu tiro eu tiro do radar técnico. Eu não posso falar a empresa falou que ele foi tanto que no dia eles tiveram um coffe break.
Não, e não adianta não. Não posso colocar isso aí.
Agora, professor, uma pergunta que tá aqui na minha cabeça desde quando a gente começou. Como é que você chegou nesse mundo? Que você é meio mutante, né? Porque você é hacker, professor de tecnologia e advogado.
Bom, fala um pouquinho da sua da sua formação, se você veio do direito, se você veio da computação, como essas coisas se juntaram para chegar no mundo da perícia e quem é o professor Ricardo Campos.
Bom, eu eu hoje eu tenho 54 anos.
Eh, [roncando] eu estudei, comecei lá no TK85, não vou contar a história, mas TK85. Aí fiz o cursinho, fui comecei a trabalhar com trabalha não, estudar bem, tinha uma revista chamada Input, né? Quem é mais antigo, lembra que você recebia os programas da rádio USP, né? Via rádio.
Então eu sempre essa parte, gente, só para deixar claro, essa parte eu não peguei, tá? Eu comecei no XT no MSD 5 já. Já MSD 5.
Então, então eu aí eu tinha um computador chamado Hotbit e depois eu comprei um MSX da Gradiente e aí fui fazendo. Na na época não existia curso de curso de computação era programação, né? Você não tinha não tinha não não não tinha não tinha curso de sistema operacional, curso de redes, né?
redes não existiam assim e departamentais, né? Era uma rede lantástica, uma rede chamada PCSA.
Então, redes, isso antes da novel com cabo, não, antes da antes da novel 3.1 de TV, gente, acredite, já a gente já fez rede com cabo com axel.
Sim, era rede cabo, era um era uma redinha [roncando] anel, tokening, né, padrão IBM 805.11, né? 805.11, não é isso aí? 805.3 800 802.5 5, 802.3, Ethernet, Token Ring, 801.11 é Wi-Fi. Bom, então eu eu trabalhei sempre, eu fui para essa área de programação, né? Depois ingressei num banco, fiquei lá fazendo a minha carreira na parte de infraestrutura, né, de produtos eletrônicos, tal. E e a perícia forense, ela era um plano D na minha vida, né? Porque eu trabalhava nessa nesse banco, né? Não era, eu tinha uma, eu era de uma empresa de TI. Eu também dava aula, sempre dei aula desde os 27 anos, onde tem 27 anos de magistratura, magistério, não, magistratura. E eu fazia consultoria, auditoria da ISO 9000, né?
Ah, e e é, e aí também surgiu uma oportunidade, se eu não queria fazer perícia, comecei a fazer perícia, minha primeira perícia foi em 2002, né? 2002, 2003, né? Era para analisar um áudio gravado num CD e você tinha que nas varas pegar os os [roncando] processos que eram papéis assim com carrinho. Você tem que pegar tudo. Para eu pegar um CD eu tinha que pegar tudo.
Ah, você tem que levar o processo inteiro.
Tem que levar o processo inteiro.
Acredite você se quiser na época era um risco, né? Você anda process. Ah, hoje você deve ter acesso ao processo inteiro também, só que digital, né?
Sim. Hoje, hoje físico nem lembro a última vez que eu peguei um processo físico, né? É que uma um ponto que a gente não comentou, é que então o perito ele tem acesso ao processo inteiro, tem tem quando ele é nomeado, ele tem acesso a não ser que tem alguma parte que a a parte lá peça segredo o juiz tenha colocado como segredo que talvez não tenha eh a relação com o caso, sei lá, o cara põe lá o imposto de renda dele, não faz sentido. Então, perfeito.
Então, aí eu comecei nessa área e em 2003, né, atuando sempre como quarta opção, quarto quarto plano, né, plano D.
Eh, e fazendo perícia, perícia, perícia.
Aí a perícia começou a me exigir mais. E quando foi em 2000 e 2016, né, eu me desliguei desse desse trabalho, né, que é um trabalho no corporativo, era já tava muito desgastante, né? Eu tinha um quinto trabalho que eu dava aula de arte marcial também. Então tinha isso aqui, cara. Ele é mais mutante do que eu pensava, cara. [risadas] É, então tinha tinha isso aqui, então tava tava muito desgastante e eu peguei e falei: "Quer saber? Eu vou fazer direito, né?" Então em 2016 eu fiz direito, me formei em 2021, em 2020 eu já tirei a OAB, né?
Então eu depois fiz um outro mestrado em direito e agora tô no doutorado em direito, né? Ingressei também no doutorado.
Tu gostou mais do direito do que da computação, professor? Não, não. Eu, eu hoje eu tenho, por exemplo, amanhã eu vou dar aula numa faculdade que eu tenho que ensinar direito para quem é de TI.
Na semana passada eu tava ensinando TI para quem era de direito numa outra faculdade.
Que legal.
Então, tá sendo legal essa. Eu dou aula na graduação ainda, né? Mas nos cursos de pós-graduações, eh, eu dou aula de MBA, né? Dou aula num num curso aberto.
Aí, por exemplo, a última aula que eu dei, eu falei de fundamentos de IA.
foram 6 horas para cybersegurança.
Para quem é de cybersegurança, eu falei de fundamentos de a para quem é o profissional de cybersegurança. Eu não fui falar de cybersegurança, né? Eu, por exemplo, num outro que eu dei, eu falei de modelagens de ameaça com IA, as ameaças novas que vêm com a IA, como é que a gente modela uma ameaça? Então, o o eu fiz direito, né? Fiz aí o mestrado em direito, né? Eu fiz outras pós-graduações na área da TI, fiz duas pós-graduações em na área do direito, uma de mediação e conciliação e outra em processo e civil e direito civil. E agora assim da minha minha dedicação eh no estudo, né, sempre nessa área de a, né, tô gostando muito de pra área de a tô entendendo, entendendo não, por favor, não é presunção nenhuma. Tô entendendo que eu preciso entender e há, né? Mas não como usuário e também não como um programador de A, treinador de A, né? Eu quer hoje, por exemplo, né? E eh eu vou, por exemplo, na semana que vem, eu vou apresentar um trabalho lá no doutorado, eu vou mostrar um neurônio funcionando, né? Uma programação em Python, né? Um neurânio para mostrar o que é um viés algoritmo, por exemplo.
Então, é isso que eu quero ir. Então vou mostrar para um pessoal que é um público de direito como que funciona um perceptum que é um neurônio de uma RNI, né? Mas só que eu vou mostrar como é que o algoritmo, como é que ela enviesa, essas coisas. Então, por exemplo, é uma coisa que eu tô gostando de fazer, cara. Sensacional.
E aí do lado, né, vai caminhando a perícia, né? A perícia é o meu principal trabalho hoje, minha principal remuneração, né? Assistência técnica e perícia é a minha principal remuneração, né? Eh, nesse interregnum eu trabalhei durante a pandemia, né? Eu fiz um trabalho que eu gostei bastante com uma consultoria, que foi a aderência LGPD, adequação da LGPD, né? Então, tive que me aprofundar muito em privacidade, privacidade de dados, né? Então hoje e como eu também dou aula de LGPD, vou começar um módulo a semana que vem de privacidade LGPD e GDPR, eu tenho que me debruçar sobre a lei. Então eu fico transitando entre o direito e tecnologia, entre tecnologia e o direito, né? Os dois são campos muito legais, né? Muito legal mesmo. Mas é é muito legal e é muito prazeroso você ensinar direito para quem é de TI.
Putz, os caras ficam, fala: "Olha, eu não vou entrar tanto em parte t, você vai ter aula contra os professores, senão fica invadindo tudo, né?" Mas eu falo: "Você sabia que no direito aqui?
Vamos pegar resposta incidente, sabia que você tem que aplicar assim, assim, assim, eh, vamos falar de contrato, né?
Você vai ser um fornecedor, você é um ciso, eu sempre olho o cara como estratégico." Então, nessa nesse MB é um MB cybersegurança, ó. Então, ó, aqui, ó, você é um siso. Então, o que que você precisa olhar num contrato de um SAS, de uma nuvem, por exemplo, de um modelo de IA, ó, você precisa olhar se essa cláusula te atende e tal, tá, tal, seu serviço, porque o cara do direito não vai folhar isso para você. E e isso é uma outra guerra que a gente tem no mundo corporativo, porque o gestor, que é o técnico, não tem condições de avaliar o contrato do ponto de vista jurídico, manda pro jurídico que não tem condições de avaliar do ponto de vista técnico.
Esse contrato, ele vai e volta umas cinco vezes.
Cinco. E e olha, eu vou te falar com com propriedade de de casos que eu já passei.
Uhum. de, por exemplo, vou citar um caso aqui do jurídico exigir que teria, por exemplo, condições de ele ele precisava ter condições de que em uma nuvem Uhum.
ele fizesse um contrato só para um serviço.
Então vou contrat Não, o contrato ele tem que prever só o banco como serviço no seu na nuvem. Eu não quero fazer o contrato pra nuvem. falando: "Não, eu escolho o que eu quero fazer dentro da nuvem. A nuvem tá lá disposta para mim".
E aí tem um contrato, um boss. E aí para você explicar isso pro jurídico, professor, mas é falta de conceito.
Na próxima eu te chamo.
Não, mas ó, e eu vou falar uma coisa rapidinho para não tomar muito tempo. Eu fui fazer uma apreensão na Google, uma busca de apreensão na Google de uma conta. Então, quando tem crimes contra crimes contra tinha tráfico torre e terrorismo chamado crimes ediondos, né?
Eles dão em 72 horas lá, tinha que pegar uma uma conta de e-mail. E ali no prédio que fica na Faria Lima, aqui em São Paulo, a oficial de justiça tava comigo, mas ela surtava. Eu quero servidores, eu quero esses computadores. Eu falava: "Doutora, aqui não tem computador". Olha para cima, olha para eu falei aqui tem biscoitinho, tem fliperama, tem pebolim, tem sala de descompressão.
Por que tem que ter, eu comecei a explicar esse conceito de nuvem, doutor, mas o Giz tá ordenando coletar a nuvem, pregar a nuvem. Doutora, esse conceito de nuvem é uma coisa abstrata, não tá aqui. Os servidores deles não estão aqui nesse prédio.
E e mesmo se você fosse no DC, como é que você pega um hack? É, [risadas] como é que eu, como é que eu, ó, você que tá aí, como é que eu faço a coleta de um mainfame? Ex.
Qual é o tamanho do saco de custódia pro mainfame? [risadas] Exatamente.
Então, e não tem, então esses conceitos abstratos.
Agora é mais fácil ensinar direito para quem é de TI do que TI para quem é de direito.
Eu imagino que sim.
Tem tem cara que acha que endereço IP é o endereço do inquérito policial, entendeu? Aí você fala: "Não, endereço IP, né? é o IP, versão 6, versão 4, tal.
Então, e essa questão de você transitar, por exemplo, você pega, eu eu chego, eu eu falo isso aqui na aula, gente, você vai essa é da área de TI, tô dando aula para ser de TI. Tem uma cláusula lá que você tá contratando um serviço de nuvem X, um SAS da vida e que tá falando de um SLA, de quantos por cento você aceita ficar fora, tal, qual que é o seu RPO, o seu RTO, eu explico o que é.
É você da área técnica que tem que dizer qual é o tempo de parada juntamente com a área estratégica del Não é o jurídico, não é o advogado vai falar: "Não, eu quero ficar duas horas". O advogado também não sabe. Vocês têm que fazer, a gente tem que fazer uma análise, fala quanto tempo a minha empresa consegue ficar fora até ela começar a ter prejuízo. E aí você leva isso pro seu contrato, SL e o e o o direito fala: "É [roncando] isso mesmo, ó. É 2 horas, 2 horas, OK, vou ratificar". É isso que a gente tem que, ah, vai ter um custo, perfeita, vamos lá com o financeiro. Mas eh eh não espere que você de TI e vice-verso você de direito vá fazer isso tudo. Isso é um trabalho multidisciplinar, né? Porque senão você vai ter esse jogo de empurra, empurra, ó, vai e volta, vai e volta, vai e volta. que não não é para ser feito isso.
Sabe que eu eu acho que às vezes a gente fale um pouco, professor, eh a gente não tem uma educação, como é que eu posso dizer, como é que para não para não ser cancelado aqui, eh, da mesma forma que a gente tem educação financeira, a gente tem letramento em tecnologia, etc., a gente tem ensinamento de metodologia científica. Eu dar uma introdução a a à metodologia científica para um aluno não quer dizer que ele vai ser um cientista, mas ele sabe a como aquilo funciona. Eu acho que a gente não tem, na maioria dos cursos de especialistas, como ciências da computação ou química física, sei lá, não tem um letramento básico jurídico.
Deveria ter uma iniciação científica pro cara virar um profissional de tecnologia e ele no mínimo ter condições de interpretar um contrato, sabe? E eu acho que isso falha um pouco, né? Tudo bem.
Se o cara já é um gestor, etc. Ele tem que se habituar e faz parte do trabalho dele conseguir fazer isso. Não vai dar uma introdução a contrato para um cara que tá numa pós-graduação, G executiva, etc. Mas talvez na faculdade de computação, cara, um contrato funciona assim, tem um, sabe, uma introdução assim, porque eu acho que as pessoas são muito leigas nesse sentido, sabe? depois vão evoluindo na carreira e aí vira um cara que não sabe ver que existem aspectos técnicos que ele deveria definir que tá dentro do contrato.
Sim.
Só que talvez o cara não consegue nem interpretar o contrato para saber aquele ponto é responsabilidade dele.
Sim. Sim. Por [roncando] exemplo, quando você fala da cláusulas das cláusulas de penalidade, se você, porque [limpando a garganta] eu falo, você é um tomador de serviço, mas você também pode estar lá no outro lado prestando serviço. Você não pode assinar algo que vai exigir sua alma e você não entrega e vice-versa. Então você tem que saber sentar de que você não a faculdade não treina você para sentar do lado A ou B da mesa, mas você vai trabalhar aqui analisando isso, ó. Isso aqui eu entrego. Você quer isso, isso aqui eu entrego. Agora vamos inverter. Que que você quer? Ah, isso aqui eu não entrego.
Então não, nós temos essa talvez uma direitofobia, não, isso aqui é de contrário, isso aqui é de direito. Não, não quero. Então não pode ser assim. Hoje, e eu falo o direito, por exemplo, o direito contratual é o direito que rege e a sua e a minha vida, né? Você tá aqui hoje, você tem um contrato aqui, você tem um contrato de locação, você tem um contrato, né? Eh, então tudo isso rest, você tem que saber porque depois que der errado, você vai olhar fixe, mas eu não tenho direito, eu achei que eu tinha, nossa, não vi isso antes. Então, a gente tem que tomar um certo cuidado. Eh, e o profissional monocromático, aquele profissional monolítico, né, que ele entendeu que o que ele aprendeu há 30 anos atrás serviria para hoje, ele ele não vai já não deve existir mais, certo? Mas quando eu falo para o meu aluno eh que ele vai fazer um curso de cybersegurança e ele tem uma disciplina, são, por exemplo, quatro ou seis aulas ou oito aulas, depender da faculdade que eu dou aula, me coloca assim, né? Ele vai ver essa questão legal, né? Mas eu falo: "Cara, tudo que eu vou te falar aqui é para você usar no seu mundo pessoa física, primeiro lugar, para você lembrar que é aquele existe, né? que você tem direitos e deveres e segundo para você levar esse conceito dentro da empresa. Eu não vou ficar lá falando, por exemplo, de herança, de direito de partilha, né? Qual a idade que você pode casar? Não, não é isso. O cara já vai com essa ideia. Não, direita é não. Eu vou dizer, olha, o que que te interessa dentro de uma relação de TI, né? Quando você é um contratante de um serviço ou quando você é um prestador de um serviço.
E até saber, eu eu faço muito paralela com a nossa área, né? Porque a gente não precisa ser um especialista em tudo, né?
Mas a gente precisa saber onde pesquisar e quem procurar, né? Então, se você tem um letramento básico sobre os fundamentos do direito, sabe como funciona o poder judiciário, você sabe como funciona um processo, etc., Você tá preparado para procurar um um advogado trabalhista, procurar um advogado eh tributário, quando for o caso. Você não precisa ser especialista nisso, mas acho que esse letramento mínimo ali as pessoas deveriam ter.
Mas Wellington, quando eu dou essa aula, essas aulas, eu falo, por exemplo, tem um tem um outro módulo que eu tô trabalhando numa outra faculdade, chama cyber crims, né, e forense computacional. Eu gasto uma aula explicando pro cara o que é uma lei, um projeto de lei. Eu mostro para ele o que é o organograma do judiciário, que é um juiz, que é um ministro, que é um desembargador, o que é um recurso, o que é um primeiro, tudo aqui. E e eu tento esgotar o tema em uma aula, mas pro cara falar: "Ah, então é isso quando eu peço, então uma sentença é isso ou uma apelação é isso". Então o processo ele é dividido em fases para ele entender que talvez ele nunca mais tenha contato com isso.
Uhum.
Então então vou vou te explicar, olha o que que é isso, o que que é justiça comum, o que que é o que que é o que que é o tal do primeiro grau ou primeira instância, o que que quem que fica no Superior Tribunal de Justiça? O que que é um Supremo, né? Então eu vou montando tudo isso para ele. Talvez o que eu diga, vai ser a primeira vez que ele viu isso na vida e talvez ele não vai ver de novo.
E e professor, olhando pro cara que tá ouvindo a gente até agora já quase 2 horas de episódio, ele é um técnico e se interessa por isso, porque tem que ter um viés de humanas nessa parada, não tem?
Sim, né? a gente conversou aqui fora do ar falamos sobre filosofia, que você gosta de filosofia, etc. Eu também gosto muito de estudar política internacional, eh, filosofia e etc. [suspirando] E o cara que se que sente que pode ser um um bom perito, qual que é o caminho para esse profissional? O cara já tem a formação técnica, ele não tem formação de direito, talvez ele não conheça os métodos.
Uhum. Talvez ele não conheça a metodologia da perícia, etc. Mas ele se interessa paraa profissão. Qual que é o caminho que esse cara tem que seguir?
Bom, ele tem o caminho procedimental é ele se cadastrar nos TJs, Tribunais de Justiça dos Estados atuar. No Tribunal Regional do Trabalho também, né? Ató, mas aí para ele já atuar, né?
Não, não é para ele, para ele se ele ele ele vai lá e se habilita.
Ah, tá.
Tá. Aí o juiz quando precisa vai nomeá-lo.
Ele no juiz não [limpando a garganta] vai perguntar para ele quer fazer. Você pôs lá seu nome, vai cair no teu e-mail uma nomeação para você, certo? Não.
Portanto, dada a controvérsia entre as partes, nome perito Ricardo Andrean Cap deverá entregar o laudo em 30 dias. É isso que ele fala. E responder o seguinte quesitos ou não.
Missão dada, missão cumprida.
É, ele não vai perguntar se você se cadastrou lá. Beleza. Então o cadastro émente fácil, né? Pris um certificado A3, é bom que você tenha, é para acessar os processos, mas não precisa ser advogado primeiro, mas se cadastrar lá para você se habilitar como perito, tá?
Então como é que eu faço? Auxiliares da justiça de cada estado. Cada estado vai ter um nome, um jeito, mas nada que o Google hoje não te ajude lá. Como se cadastrar como perito no estado do Pará, é o Caju, por exemplo. Como se cadastrar, né? Aí é o TJ. Tem, então vai ter tudo isso aí.
E os requisitos, ele tem que ser bacharel em cens da computação, sistema da informação, como é que funciona?
Então, cada um desses estados, cada um, né, lembrando, cada uma dessas tribunais, eles vão ter os próprios editais deles para dizer: "Ah, então você vai mandar, vou pegar aqui em São Paulo que é 90% da minha atuação, né?" Você vai mandar todos os seus diplomas, frente verso lá dos seus diplomas. você vai você vai se cadastrar numa área da perícia, né? No Paraná, no Rio de Janeiro, é uma planilha Excel, né, que eles mandam lá. Então, cada um vai ter a sua particularidade.
Uhum.
Tá. Não é, não vou dizer para você que todas têm que ser. Agora, lógico, né?
Pode ser que se você falar: "Ah, eu quero ser perito informática e manda lá um diploma de bacharel em pedagogia, eu não sei, é uma faculdade se eles vão te aprovar." Tudo bem? Não sei, não, não tô dizendo que não, mas por exemplo, é o que eu disse, deveria, né?
Eh, então, mas é aquela questão, eu vou, eu posso me candidatar com um perito médico, porque eu adoro medicina, mas eu nunca estudei, não tenho um diploma, né?
Então, provavelmente eu vou ser rejeitado. Provavelmente eu vou ser rejeitado. Agora, a perícia informática é uma área. Existem n áreas dentro da perícia. Perícia, psicologia é uma delas que tem, né?
Pedagogia eu não sei, mas psicologia com certeza tem. Essa é a primeira coisa, cadastro. Segunda coisa que ela é tão importante quanto a primeira, você tem que entender procedimentos. Você tem que abrir o Código de Processo Civil, lê-lo do artigo 464 ao 484.
São 20 artigos, tem que ler e entender, que é onde a gente fala da prova pericial, por exemplo. E você tem que ler o artigo 158, 156 do Código do Processo Penal e lê lá as partes que vão falar sobre a prova. Esse é leitor obrigatório.
Você você tá o quem que vai me baseilar?
São esses códigos de processo, seja o penal, seja o cível. Então isso tudo é o que você tem que ler.
Agora nota o seguinte, eu falei, você tem que ler, você tem que saber gostar de escrever e você tem que saber gost, perdão, você tem que gostar de ler e gostar de escrever. Ah, a me ajuda, pô. E a me ajuda bastante. Às vezes eu pego um texto, [ __ ] tá confuso o meu texto e, ah, arruma esse texto, pô, ela melhora, perfeito.
Não delegue 100% aí a Mas não precisa dizer que não usa. Hoje a gente usa, mas poxa, né? Né? Como eu falava para você, vão voltar à máquina de escrever. Mas eh o que que a pessoa tem que entender? Que ela tem que ler. E ela tem que ler. E hoje um processo é 300 folhas de início para 1000, 2000, 3.000. Ah, mas eu vou ler tudo não. Aí ela me resume. Poxa, ela resume. Mas mesmo o resumo dela às vezes dá quatro, cinco folhas. Você tem que saber ler. Sim.
Sim. E é importante, assim como é importante para hoje, como bom profissional de tecnologia, você deve saber disso. O contexto é muito importante. Então, o perito ele precisa ser carregado contexto para poder fazer um bom trabalho.
Sim. Sim. Então, o o o assim, eh, para terminar a resposta, algumas pessoas, ô Capose, você faz perí, faço. Eu quero fazer, você me leva num levo. Ou você me deixa fazer, deixo. Quando o cara vê que é 90% de procedimento é escrita, tomar nota, fazer procedimento que não é onde eu vou clicar o comando lá, o cara já quer dar um comando, né, X, YZ lá no terminal do Linux, fala: "Isso aí lá no CSI da Netflix, que o cara em 40 minutos ele tem que dar dois comandos, ele sabe o que que você almoçou a semana passada.
Aqui não, você vai ter que saber o que pedir, você vai ter que pegar a nota fiscal, vai ter que analisar. vai ter que E quando ele vê que é trabalhoso e que a a o trabalho de análise é trabalhoso, né? Fazer as correlações dos eventos e depois você tem que fazer uma coisa que é mais trabalhosa daquilo.
Você tem que transformar aquilo num relatório, que quem vai degustar aquele relatório é um juiz que não entende nada da Não adianta você copia colar o M log lá que não vai juiz nem lê. Você pode pôr lá como anexo, a gente põe e tal, mas aí ah, é, ah, é assim. E eu termino dizendo para você o seguinte, em 2015, eu fiz uma pós-graduação 2016 em forêncio computacional e da sala começou com 42, terminou com 22.
Na época só eu atuava e essa história eu levei duas pessoas lá para fazer comigo.
Na segunda visita eles já não gostaram.
Ah, isso é perícia. Falei: "Ah, isso é perícia". Entendeu? Por iso, não é só pegar um pen drive, descobrir quando ele foi logado na máquina, quem acessou, porque acho que a galera deve meio que achar que, [ __ ] você é um [ __ ] investigador, romantiza é muito romântico. Nossa, é lindo, mas tá longe de ser esse romantismo aí. É muito mais suor de verdade, é muito mais transpiração, né, do que e você achar que o giz vai querer dizer, não, eu descobri um descobri um rat aqui, um backdo door.
Meu, isso vai ser 1% dois do seu trabalho, né? Você porque se o cara quiser fazer só isso, vai ser um red team, vai ser um redin, beleza? Vai ser um, vai ser um, vai trabalhar no CC, mas se o cara não gostar de primeiro, eu falo pro cara, você gosta de ler e escrever, é, você gosta de seguir protocolos, porque lá eu preciso seguir o protocolo, não adianta eu pular. Se eu pular, rasgo o meu trabalho. É diferente. Não é um trabalho que uma investigação interna, uma sindicância que não tem validade jurídica ainda, mas você já sabe quem fez, já pode fazer um monte de coisa.
Aqui não. Se a gente queimar uma etapa, é o piloto do avião lá. Se a gente queimar uma etapa, pular uma etapa, corre o risco do avião cair. Certo?
Então a gente não corre. Ah, mas eu não gosto de seguir procedimento, não gosto de ler manual, não gosto de seguir regra. Então, cara, vai para um red team ou para um bluetim, sei lá, vai fazer.
Não adianta, se você quer ser perito, perito é um trabalho de escrita. E aí eu falo pro: "Cara, você tem que saber ler, né? Ler e interpretar texto." E hoje talvez o público que tá vindo aí, né? Eu faço essa, quer ver uma pergunta que eu faço todo dia em todo dia? Todo primeiro semestre em aula eu faço?
É a seguinte pergunta. Eu falo assim, sério mesmo, pessoal pode ir na aula e perguntar paraos meus alunos, né? Todo primeiro dólar semestral eu faço assim: "Qual foi o último livro que você leu?" Livro, papel? Ah, não quer ler link Linkindle. Tá bom. Qual foi o último livro que você leu? Seja técnico ou um romance, uma ficção?
É zero. É zero. Zero. Zer zero. Esse semestre uma menina levantou a mão, falou: "Eu li esse livro". Ah, que legal. Para não dizer que é zero.
Uhum. [limpando a garganta] Os outros é assim. Então, fala, você não lê e vou te dar um negócio de 300 páginas para você ler. E a petição inicial é uma história, é uma narrativa, é o advogado contando o drama do cliente dele. Só que ele pode contar esse drama em 10 páginas ou em 150 páginas.
E eles gostam de aumentar bastante as páginas. Convenção.
Sim. Porque ele quer contar, ele quer e ele ele repete. Aí ele é aquele não. E porque o cliente onde já se viu é mais verboso que Java.
[risadas] É o modo verboso, cara. E e é isso.
Exato. É muito verboso, porque aí ele começa a pegar fotos, não porque veja bem, eh pegamos um caso agora de um de um senhor do questão do INSS, ele tá entrando contra o banco, o problema do INSS tá tá pipocando e ele ele recortou, ele fez questão de recortar umas cinco, seis tiras dos problemas que estão tendo n que na internet, não aqui, ó, fraude nss, porque ele quer mostrar. Então, quando você lê aquilo, você tem que ler, né? Para, eu, pelo menos, eu gosto de ler para me interar. Eu leio a petição inicial, eu leio a contestação, que é a defesa da outra parte, para ver o que que a outra parte tá dizendo, né?
E [roncando] depois leio a [limpando a garganta] réplica e depois leio o que que o juiz quer. Isso é leitura obrigatória. É leitura obrigatória. Você tem que ler isso. Ah, eu não gosto de ler. Então, a perícia não é para você, não é para todo mundo, né? Não é para todo mundo. A perícia não é para, aliás, esse tipo de trabalho em que você tem que ler, né? Não é para você.
É igual você falar assim: "Ah, eu quero, eu quero ser surfista, mas eu não gosto de nadar".
É, não sei nadar. Falou: "Então você tem que parar, aprender nada". Aí eu falo: "Mas você gosta de nadar?" Não, eu quero surfar, mas nadar eu não gosto, cara. E quando você cair da prancha, você vai morrer afogado, entendeu? É isso aí que bate.
Entendi. Perfeito.
Professor, poderia ficar aqui até. Eu sempre falo isso no final dos episódios, mas esse especialmente eu poderia ficar muitas horas a mais conversando contigo.
Que bom, cara. Que bom que deu, que você gostou. Espero que o teu público goste também, né?
E esse foi só uma introdução, né? Eu acho que cabe a gente fazer outras edições aí para que é a primeira é a primeira vez que a gente traz esse assunto no podcast. Uhum.
Eu acho que a gente pode aprofundar alguns pontos aqui.
E a casa tá sempre aberta, professor, que agora você faz parte da comunidade do PPT não compila e sempre que quiser.
Depois que eu entendi que é queele PPT não compila, [risadas] que que é o PPT não compila, né?
PPT não compila.
É verdade.
Esse isso foi uma crítica que a gente criou no começo, né?
sobre fornecedores e gente que vem hoje, hoje tá meio que desatualizado, né?
Porque daqui a pouco talvez o PPT compilito que a IA tá, né? [roncando] Mas foi uma crítica de que no slide do do fornecedor, no slide do reporte do do chefe, as coisas funcionam.
Tudo dá certo, né? Fica entendido. É maravilhoso aqui. Não, olha, eu vou mostrar um beta teste aqui. R. Olha só que software maravilhoso. Mas como é que esse PPT vira software?
É, não, aí não, né? A a história é outra. Então, a proposta nossa sempre foi trazer a vida real da tecnologia e essa é a a inspiração do nome. Ah, legal. Gostei.
Agora depois eu tinha pensado, é verdade, essa ideia, né? Porque a gente costuma falar assim, o PowerPoint, fala isso pros alunos, gente, PowerPoint aceita tudo.
Tudo. Exatamente.
Se quiser, você mete aí no PowerPoint. O PowerPoint aceita tudo. É a versão eh textual do PPT não compila para código.
É, [risadas] é isso.
Verdade. Verdade. Se você quiser colocar que a terra é quadrada, tá? Isso é uma ofensa para você que é astrofísico, né?
[risadas] Né? Que você aí você pode pôr porque então é isso, né? É legal, cara.
Gostei muito. Obrigado pelo convite, né?
Agradeço.
Eu que agradeço, cara. Foi muito bom.
Espero que tenha sido muito por Agradeço também a cerveja aqui, ó, para terminar tomar o meu golinho aqui.
Maralto, obrigado novamente pela pelo apoio aqui pra gente, professor. Muito obrigado novamente pela presença. Você que acompanhou a gente até agora, muito obrigado pela audiência de vocês. Se você curtiu o nosso episódio, se você curte o nosso trabalho, por favor, deixa o seu like, deixa seu comentário, compartilha o episódio nas redes, joga no Teams, joga no grupo do soc. Grupo do sock, esse é bom para jogar no grupo do soé. joga no grupo do SOC, joga no NOC também. Eh, o mais importante pra gente é o seu carinho, a su a sua audiência e que você nos ajude a crescer ainda mais a nossa comunidade. Então, deixe seu like, compartilha o episódio, professor.
Obrigado novamente.
Eu que agradeço. Muito obrigado pela gentileza do convite.
Valeu,
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